Londres e Jamaica | Alienação Afrofuturista

A tecnologia veio como uma bomba sobre a música. Não digo bomba no sentido destrutivo da coisa, e sim no sentido do impacto que ela causa. Ela trouxe a transformação, modificou, adicionou e recriou muitos estilos. Aqui, lhes apresento um clipe lançado no final do ano passado, da Alienação Afrofuturista, projeto idealizado por Alessandro Ramos da Cunha, que tem por estilo o dubstep/dub, que é uma mistura do gênero de música eletrônica que se originou no Sul de Londres por volta dos anos 2000 com a música jamaicana que teve seu início em 1960.

O clipe em questão, teve roteiro e direção de  Angélica Rodrigues, e nele, mostra-nos como que a perpetuação do legado desse estilo é feita, de pessoa em pessoa. No clipe, uma criança “espiona” um senhor enquanto ele trabalha em suas músicas, ao percebe-la, ele vai de encontro ao menino, e o convida a entrar. Dando-lhe no final, um Pen Drive, que remete-nos ao tempo de tecnologia no qual vivemos. Se pararmos para refletir nessa tomada, podemos ver um significado muito grande, pois algo, tão antigo como música, está sendo “fundido” com a tecnologia, que veio para somar aos mais variados tipos de gêneros. Por mais que os conservadores acreditem que a proliferação dos downloads prejudicou o cenário musical, a grande maioria há de convir que hoje está se tornando cada vez mais fácil o artista se fazer conhecido graças a esse avanço.

Voltando ao clipe, temos aqui um trabalho muito bem feito, com uma música muito bem trabalhada. Podemos perceber nele o cuidado e carinho com cada cena, com cada objeto que compunha o cenário. Repare que até o Pen Drive está personalizado. Tudo foi montado e arquitetado para levar-nos a ver o passado e o presente no momento vivendo juntos. É como se o passado continuasse a existir graças a tecnologia, que o renova.

Erick Reis

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