Regra sem Regra | Por Dabliu Junior | O nome dele é Criolo

crioloFoto-Luiz-MaximianoO nome dele é Kleber Cavalcante Gomes. Mais conhecido como Criolo Doido, ou só Criolo. O cara é um rapper que batalha há mais de 20 anos no cenário do rap nacional, foi o criador da rinha dos MC’s, e ascendeu em 2011 com o disco “Nó Na Orelha”, que deu um nó na orelha de muita gente, impressionou Chico Buarque, Caetano Veloso e Ney Matogrosso, e colocou Criolo num provável top 10 da música popular brasileira contemporânea.

 

 

Vi um show do Criolo em 2012, em Curitiba. Fiquei mega impressionado. Um show que tem ginga do início ao fim, o sangue negro pulsando pra fora do peito. O nível de adoração e excitação da plateia foi algo sem igual. Fenômeno que eu só tinha visto até então em vídeos de shows do Legião Urbana, que não tive o prazer de ver pessoalmente. Obviamente o “nó na orelha” mencionado vem apenas de um lugar: o preconceito.

 

A linguagem do rap sempre foi abarrotada de palavrões e gírias, o que dificultava (dificulta) o acesso ao público geral, mas nunca deixou de ser produto de consumo para as classes mais à margem da sociedade, e de ser música inteligente, de ricas rimas e profundidade impressionante. É aqui que ele aparece em primeiro plano: Criolo representa um fenômeno que deu início a uma inversão de valores, tornando a arte que é feita na favela também parte do cenário estupidamente chamado “cult“. E claro, um fenômeno que não é nenhum pouco oco: Criolo é afinado, tem um timbre marcante, e tem muita musicalidade. Seu disco de estreia, por exemplo, transita no samba, no bolero, no brega, no funk, no blues, além de ser muito bem produzido por Daniel Ganjaman.

 

Mas Criolo não é iniciante. Começou sua carreira em 1989, como citado criou a Rinha dos MC’s, famosa entre os rappers, e em 2006 lançou um disco de projeção discreta “Ainda Há Tempo”. Mas a partir de 2011, com o lançamento de “Nó Na Orelha”, e o bem escolhido single “Não Existe Amor em SP”, Criolo se viu diante de plateias gigantescas, em programas globais de MPB, recebeu diversos prêmios de melhor música, melhor disco, melhor clipe e artista revelação, cantou na entrega de um deles, na MTV, com participação de Caetano Veloso (isso mesmo, Caetano cantou a música de Criolo e não o contrário), e numa de suas sacadas mais geniais (ou de sorte?), colocou no Youtube um trecho adaptado por ele mesmo de “Cálice”, canção composta por Chico Buarque e Gilberto Gil, o que lhe rendeu além da audiência dos vídeos mais vistos na internet, uma homenagem do próprio Chico em seu show.

 

 

Das primorosas letras, Criolo faz seu arsenal de discursos, com crítica social estampada de uma linguagem subsersiva e ao mesmo tempo politicamente correta. Se é algo que passa pela sua cabeça, ou não, Criolo em 20 anos aprendeu como ser pop, e não digo isso em um sentido pejorativo não, qualquer artista tem por objetivo comunicar, e se essa comunicação pode ser massiva admitindo não mexer na essência, o caminho a ser trilhado é esse mesmo, e Criolo tem conseguido como poucos no Brasil.

 

Pessoalmente, Criolo me interessou pelas raízes africanas que permeiam todos os batuques do seu disco de estreia, pelo samba, por seu existencialismo nato nas letras, e a notável qualidade delas. Mas depois de Criolo, já abri as portas do meu ouvido pra muita gente do rap, como o Emicida, por exemplo, que tem feito um trabalho muito bom há vários anos.

 

Imagino que, como Criolo diz em uma de suas canções “eles dão o doce pra depois tomar”, a mesma mídia que o tornou esse artista messiânico, tem mudado de ideia, pelas últimas críticas que saíram sobre seu single “Duas de Cinco”, falando de supercialidade e de obviedades que já são mesmo clichês para a perdida indústria da música. Mas provavelmente, Criolo sabe que esse é o problema quando se lida com a expectativa, e vai continuar fazendo sua música honesta, muito bem feita, e acompanhado de gente muito profissional (seu último single veio junto com um videoclipe curta-metragem com efeitos dignos de cinema). O que eu sei, é que de 2011 pra cá, se o som desse cara passar perto de mim, eu tô seguindo.

 

Serviço:  Criolo se apresenta em Curitiba no próximo dia 26, no Estação Pedreira. Evento esse que será realizado na Pedreira Paulo Leminski. Esse festival também contará com apresentações de: O Rappa, Raimundos, Projeto Noites Cariocas e Lenine.

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Por | Dabliu Junior

DSC_0164Quem?
Dabliu Junior é compositor da safra recente da nova MPB, lançou em 2011 seu disco “Sobre os Ombros de Gigantes” muito elogiado pela crítica, e está gravando seu segundo disco “O Jardim da Perpétua Primavera”.

Onde?
Site Oficial
  |   Fanpage 

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