Regra sem Regra | Por Lara Rejane | Mulherzinha?

we-can-do-itEm um desses dias normais reblogando por aí no tumblr, eu vi um print do twitter onde uma garota escreveu uma metáfora sobre ser mulher. Nela dizia: @RamonaFlour: “Ser mulher é como ser um ciclista em uma cidade onde todos os carros representam os homens. Você, supostamente, tem que “compartilhar” a rua igualmente com os carros, mas não é assim que acontece.  A rua é feita para os carros e você investe muita energia mental e física agindo de maneira defensiva e tentando não se machucar. Alguns carros QUEREM que você se machuque e eles acham que você não tem espaço nenhum na rua. E se você é atingida por um carro, todos inventam desculpas para culpá-la.”

Uma metáfora simples que não se faz necessária alguma grande interpretação para se compreender. Durante anos as mulheres veem lutando para conquistar o direito de igualdade e muito se foi feito,  conquistado. Mas agora que já vencemos uma das grandes barreiras estamos lidando todos os dias com a segunda: A luta pelo respeito. Já que não basta conquistar o direito de ocupar certos espaços na sociedade, o que se discute hoje não é mais – apenas – o fato das mulheres ganharem menos que os homens, ou terem que se esforçar mais para ganhar o mesmo. De serem minoria em profissões que exige um conhecimento maior da área de exatas. Todo esse discurso está internalizado não só entre as mulheres como os homens também sabem citar cada diferença.

Mas o que me assusta nisso tudo são as entrelinhas do “jogo dos sexos”. Todas as minúcias que ficam escondidas por detrás do discurso – seja ele falado ou não. O mundo aceita mulheres no esporte mas diz: “Você corre como uma menininha.” Abrem espaço para engenheiras mas pregam: “Isso é trabalho de homem.” Tratamos como “normal” algo que é inaceitavelmente comum: o uso da palavra “mulher” “mulherzinha” “menina” “menininha” como algo para diminuir, ridicularizar, alguém. Afinal, quem nunca disse ou ouviu dizer “Deixa de agir como mulherzinha!” E não é o diminutivo da palavra que torna a mulher pequena, porque a palavra “homenzinho” tem outra conotação quando dita para um adolescente. Eu poderia continuar por textos e textos falando sobre os vícios presentes na nossa linguagem que abarcam o mesmo tema…

Mas se “Não é isso que eu quis dizer” porque dizemos? Cultura? Costume? “Força do hábito”? A questão é que, independente de quais das perguntas acima você tenha dito sim, esse costume constrói, reforça, algo muito maior do que podemos imaginar. As palavras tem força. E como tem. A imagem do que é ser homem e o que é ser mulher é constantemente modificada. Características, obrigações e deveres são ditados e alimentados por nós. Enquanto continuarmos com o péssimo hábito de sermos simples reprodutores daquilo que ouvimos, sem prestar atenção que existe uma criança ouvindo, que existe um adolescente em formação imitando o comportamento de um mais velho, continuaremos vivendo em um mundo que dá o espaço em nome da igualdade, mas nos bastidores continua na idade média. A próxima geração dirá aquilo que nós dissermos para eles que é o discurso correto. Então pregue o respeito. O preconceito, a intolerânica e o ódio são ensinados. Todos nós temos uma participação nele.


Lara Rejane
Estudante de Psicologia na Faculdade Ruy Barbosa.
Coordenadora do grupo de estudo espírita para jovens. (JEDAK)

(71) 9653-5566

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