Regra sem Regra | Por Jessica Rocha | Pretinho Básico

escolhida
(foto: Erick Reis)

Há quem diga que o dia não é o mesmo se não tomar café logo pela manhã. Há também quem diga que isso tudo é uma bobagem, e há aqueles que tanto faz – neste caso,eu. Por muitos anos eu não coloquei uma gota de café na boca, e exatamente agora estou com um baita copo, cheinho do líquido preto, que pode ser considerado por muitos o “líquido precioso”, e para mim quem vence nessa categoria é, também um liquido escuro, que dizem fazer mal aos ossos, a Coca Cola. Degustando aqui o horrível café da redação, que fui obrigada a tomar porque estou com tanto sono que parece que fui picada pelo mosquito do Tsé Tsé, pensei comigo: de onde vem isso? Como veio parar no nosso dia-a-dia? Ele faz bem mesmo? E fui lá dar uma bela bisbilhotada na história.

Já parou para pensar o quão louco seria você comprar um quilo de arroz com o café como moeda de troca? Hoje bebemos o “pretinho” e não temos a noção disso, e quando eu digo nós não temos a noção, refiro a mim também. Como as crianças daquela época compravam suas guloseimas? – “Moça eu quero uma paçoca, por favor!” – “ 500g de café, meu jovem”. Não né?

Brasil, século XX e a economia baseada em um produto. Por quase um século ele foi a grande riqueza brasileira e responsável pelo grande avanço das relações internacionais, já que viramos um dos países que mais exportavam café. Trouxe um número significativo de imigrantes, a classe média expandiu e os movimentos culturais se intensificaram.

As elegantes mansões dos fazendeiros, que traziam para cá a cultura européia era o reflexo do sucesso dos cafezais. O Brasil cresceu movido pelo hábito do cafezinho – o que continua até hoje. Ele era servido nas refeições de meio mundo, ou quase todo o Brasil, promoveu as misturas raciais e não só as saborosas como: café com leite, café com bolo de fubá ou simplesmente o café após o almoço feito pelas mãos negras das escravas, nas panelas de barro, no fogão à lenha.

O sucesso foi tamanho que, São Paulo, o Estado que mais produzia, tornou-se o mais rico do país. Os fazendeiros cheios da grana até tomaram o poder, a política café-com-leite, lembra? São Paulo e Minas Gerais, os maiores produtores de café e leite e com o poder absoluto do país. Perderam o poder politicamente com a revolução de 1930. Os paulitas se cansaram de revezar o poder e indicaram um presidente, obviamente que os mineiros não ficariam chorando pelo leite que derramaram e não deixaram Júlio Prestes assumir o cargo. Getúlio assumiu. A parte que eu mais gosto da história, essa loucura toda que levou o Brasil até a ditadura militar, mas a questão aqui não é a história e sim o “pretinho”.

Ele ainda continua sendo um dos produtos mais importantes para o Brasil, e posso garantir que ele é o mais brasileiro de todos. O país é o primeiro produtor e o segundo consumidor mundial – caraca,mundial- do produto.

E sim, ele faz bem. Como qualquer outra coisa em excesso faz mal, mas na quantidade certa, não. Para mim, essa questão de quantidade certa é muito relativa, mas eu não sou médica, só sou uma estudante de jornalismo curiosa. Segundo um médico que achei ai na internet, Dr. Charles Schwambach, o consumo moderado de café (duas a quatro xícaras ao dia) exerce efeito na prevenção de doenças como depressão, cirrose hepática, doença de Alzheimer, asma, diabetes tipo 2, cálculos biliares, câncer de intestino, alguns tipos de dores de cabeça, doença de Parkinson. Previne o consumo de drogas e álcool. Melhora a atenção e desempenho mental. Contém vitaminas, sais minerais, antioxidantes que combatem os radicais livres e cafeína, a principal amina ativa do café, que é absorvida rapidamente e chega ao cérebro em cerca de 20 minutos após a ingestão, onde age aumentando a influência do neurotransmissor dopamina e um ótimo estimulante. Se ingerir a mais pode viciar e levar sintomas de abstinência como dor de cabeça,fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração e rigidez muscular. – “Porra, do que estamos falando mesmo? Bom, foda-se, estou muito cansada para pensar nisso. Me traga mais um pouco dessa coisa aqui!”

 

Jessica Rocha
Estudante de Comunicação Social – Jornalismo na faculdade Opet – Curitiba-PR.
Assessora de imagem pública – Rotaract
Estagiária do Governo do Paraná – Setor de Comunicação Social.

Advertisements

Posted by

Jornalista e apresentador de TV. Criador do Regra dos Terços.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s