Niloofar Rahmani, a pilota afegã

Niloofar Rahmani, de 23 anos, cresceu em Kabul, capital do Afeganistão. Ela se alistou para um programa de treinamento da força aérea em 2010, mas manteve segredo de seus parentes que acreditam que uma mulher não pertence ao “mundo fora de casa”. Dois anos depois, ela se tornou a primeira mulher pilota de asa fixa na história do Afeganistão e primeira pilota mulher do país, desde a queda do regime talibã.

Rahmani e outras nove mulheres inspiradoras de todo o mundo foram premiadas, pelos Estados Unidos, com o  International Women of Courage Award 2015.

Muitas meninas no Afeganistão têm sonhos, mas há uma série de problemas e ameaças no caminho.

Acredita-se que havia pilotas afegãs durante o período comunista pré-talibã, mas os detalhes são escassos. Quase 14 anos anos após o governo talibã ter sido derrubado em uma invasão liderada pelos Estados Unidos, as mulheres afegãs têm rumado com mais força e voz em busca de uma sociedade mais igualitária. Isso marca uma mudança radical na luta pelos direitos das mulheres, mas as atitudes conservadoras ainda prevalecem.

Em 2013, após fortes ameaças supostamente do Talibã, Rahmani teve que deixar o país por dois meses. Ela afirma que coisas simples, como andar nas ruas e ir às compras não são mais possíveis e que sente como se toda sua liberdade tivesse ido embora.

Em entrevista à AFP, Rahmani relembrou um episódio em que ela desafiou as ordens de um superior, que a impediu de realizar o transporte aéreo de soldados feridos em uma província rebelde no sul do país. As mulheres são tradicionalmente proibidas de transportar mortos ou feridos no Afeganistão, pois “muitos acreditam que as mulheres têm um coração pequeno e que são muito emocionais”, disse Rahmani. Ao completar a tarefa, Rahmani disse ao seu comandante que a punisse se ele achasse que ela havia feito alguma coisa errada. Ele sorriu e a parabenizou.

Ela tinha apenas 18 anos quando ouviu a notícia que a Força Aérea Afegã queria recrutar pilotos e imediatamente se inscreveu

Enquanto impulsiona mudanças, Rahmani também tem que lidar e ser cautelosa para não desrespeitar as normas culturais em um país conhecido por seu sexismo. Em uma manhã recente, quando um colega homem da base aérea estendeu a mão para cumprimentá-la, ela recusou. Ele a questionou e ela sorriu educadamente, dizendo posteriormente em entrevista que não queria passar a mensagem errada. No Afeganistão, até mesmo um simples gesto, como um aperto de mão entre homens e mulheres, às vezes pode ser interpretado como um sinal de mau caráter.

Rahmani é uma das três mulheres afegãs que foram treinadas para se tornarem pilotas desde a invasão de 2001 e a única, desde então, a entrar na força aérea. Quando questionada sobre quanto tempo levaria para que a Força Aérea tivesse um número igual de homens e mulheres pilotos, ela respondeu:

Não tão cedo. Talvez 20 ou 30 anos. Mas eu tenho esperança.

 

 

 

 

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