Ali Zaoua, uma indigestão marroquina

Escrito originalmente em árabe e francês, Ali Zaoua: o príncipe das ruas é um filme sobre um grupo de quatro meninos de rua em Casablanca, uma cidade de Marrocos, que tentam se desvincular de um grande grupo de menores de idade, liderados por um homem abusivo e explorador chamado Dib. Em um embate com Dib, Ali Zaoua (Abdelhak Zhayra) é atingido por uma pedra e morto. Os três amigos restantes, Kwita (Mounim Kbab), Omar (Mustapha Hansali) and Boubker (Hicham Moussoune) decidem, então, dar ao amigo um grande funeral.

Fora das telas, os protagonistas também eram meninos de rua. Essa informação nos faz questionar, quase inconscientemente, onde começa a atuação e a realidade (se é que há essa dicotomia), ou ainda, onde elas se fundem.  O uso da animação como instrumento que veicula os sonhos, adotado pelo diretor Nabil Ayouch, foi uma estratégia simples, mas muito eficaz para elucidar o desejo de estar em outros lugares, de ser outra pessoa.

 

Há quem diga que não passa de uma overdose de sentimentalismo mórbido, mas o maior feito desse filme é justamente sua indigestão, que provoca metamorfoses em seu público ao mostrar a árdua jornada da busca de um lugar para pertencer, ao mesmo tempo em que denuncia gradualmente, no íntimo do espectador, a incômoda falta de sabedoria e sensibilidade para interpretar as nuances do outro.

  • Trailer

  • Sinopse

Ali, Kwita, Omar e Boubker são meninos de rua que vivem na cidade de Casablanca, em Marrocos. A ligação quase familiar entre eles é rompida quando Ali é cruelmente morto. Os amigos decidem dar um enterro digno a Ali e se deparam com duras circunstâncias.

  • Ficha Técnica

Título: “Ali Zaoua – Prince of the streets”

Direção: Nabil Ayouch

Roteiro: Nabil Ayouch e Nathalie Saugeon

Duração: 90 minutos

Classificação Indicativa:

Gênero: Drama

Estreia: 2000 (2005 em DVD)

Para ler a ficha técnica completa, clique aqui.

  • Sobre o diretor

Nascido em 01 de abril de 1969, de pai marroquino e mãe francesa, Nabil Ayouch nasceu e cresceu em Paris. Depois de estudar teatro por três anos com Sarah Boreo e Michael Granvale, começou sua carreira de diretor. Dirigiu propagandas e, em 1992, seu primeiro curta-metragem Les Pierres Bleues du Désert. Seu primeiro longa-metragem, Mektoub (1997) teve uma bilheteria histórica, atingindo mais de 350.000 espectadores, além de ter sido indicado ao Oscar (1998).

 

Crédito: Fundação Ali Zaoua

Em fevereiro de 2009, após observar a necessidade da reconexão entre os moradores de Sidi Moumen e o resto da cidade de Casablanca, Nabil Ayouch e Mahi Binebine criaram a Fundação Ali Zaoua, que tem como objetivo o desenvolvimento social e reabilitação psico-social dos jovens marroquinos proveniente de meios desfavorecidos, facilitando o seu acesso a qualquer forma de expressão artística. A Fundação Ali Zaoua também abriu o Centro Cultural “The Star”, em Sidi Moumen, com o intuito de implementar a formação em artes, com a oportunidade de realizá-la em um ambiente profissional, além de servir como um espaço de aprendizagem de línguas.

Jean-Michel Dissard a marqué les jeunes de Sidi Moumen lors de son passage avec son film documentaire "I learn America"
Crédito: Fundação Ali Zaoua

 

 

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