Eu não nasci pra viver essa vida

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(foto | Erick Reis)

Eu não nasci pra viver essa vida. Muitos falam pra mim (inclusive eu mesmo) que a vida é dura, que nem sempre podemos fazer tudo o que queremos. Mas vozes falam pra mim (vindas de mim mesmo) que a vida não precisa ser vivida assim, ela pode e deve ser vivida fora do sistema.

Temos apenas duas opções, ou nos encaixamos nos moldes padrões e vivemos segundo os demônios do mundo, ou vamos na contramão disso e enfrentamos os nossos próprios demônios. Qual é mais cruel? Qual tortura mais? Qual caminho é mais penoso? Pra muitos é o próprio, pra mim, é o de muitos.

A vida segue com os seres perambulantes do planeta, a grande maioria seguindo apenas o fluxo do rio. Eles não se questionam para onde estão indo, apenas vão porque todos estão naquele caminho. Li em um livro de um cronista curitibano que “nós passaremos em branco”, é Luís Henrique Pellanda, você tem toda razão, passaremos. Podemos fazer o que quisermos, mas ao fim de tudo, ao nos depararmos com a cruel realidade do abismo dos famosos sete palmos abaixo da terra (se bem que hoje, talvez na tentativa de fugir desse destino, muitos tem optado por sepultar seus mortos em gavetas verticais) tudo o que tivermos construído se esfarelará, assim como nossa massa corpórea. De que adianta viver uma vida mecânica? Agradando aqueles que assim como nós, desaparecerão ao passar de algumas milhares de noites? De nada meu caro, de nada adianta.

Se quer ser eterno, eternize-se na pintura, pois veja bem, até hoje falamos dos selvagens homens das cavernas. Se quer ser eterno, eternize-se na música, quase 200 anos depois, ainda falamos de Ludwig Van Beethoven. Plante uma árvore, ou milhares delas assim como fez Sebastião Salgado. Cada um tem sua maneira de eternizar-se, alguns só precisam encontrar.

Mas para mim, a grande questão da vida não é o fato de passar em branco após o falecimento, a grande questão é encontrar e rabiscar a folha central de si, para não passar em branco pra você mesmo.  Essa cruel realidade atormenta as noites de sono daqueles que a vislumbram mas ainda não conseguiram palpá-la. Esse é o mundo no qual vivemos.

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