Regra Soma | Carnaval

Até que ponto o Governo deve investir em eventos como o carnaval? De um lado vivemos uma recessão, de outro temos a necessidade da população de ter acesso a cultura de uma forma geral. Será que o Estado está gerindo bem essa situação?

No mesmo momento em que a cidade de Leopoldina-MG retirou os investimentos públicos da grande farra para investir em saúde, a cidade de Salvador investiu 69 milhões para acontecer a festança. Desses 69 milhões, 60% teria sido investido em segurança segundo o governador da Bahia Rui Costa. A pergunta que lateja na mente é: se o evento se mostra tão violento, exige um investimento tão alto, e o país vive um momento de recessão econômica e muitas incertezas políticas, quem agiu certo? A cidade de Leopoldina ou Salvador? Muitas pessoas acusam o prefeito da cidade mineira de ter agido visando apenas os votos, uma atitude populista, propagandística, enquanto outros o idolatram. Da mesma maneira, muitos aprovam o alto investimento de todo o estado da Bahia na festança enquanto outros, criticam apontando as falhas que insistem em pipocar nos setores públicos.

Antes do último Regra Soma, que aconteceu no dia 13 e fevereiro, eu mesmo pensava que o Governo deveria se abster de investir nesse tipo de evento, que olhando de uma maneira rápida e seletiva, enxergamos os rastros de desperdícios públicos, a poluição nas ruas, os mortos e os feridos que aparecem em todos os lugares, sejam vítimas de acidentes automotivos causados muitas vezes pela combinação de bebida alcoólica e direção ou mesmo pela violência que acontece a cada instante nesses eventos. Visando então um maior investimento nos setores públicos, pensava comigo mesmo que o exemplo de Leopoldina deveria se repetir em todas as cidades do país, e que se o setor privado quisesse lucrar com o carnaval, que ele mesmo bancasse a festança toda. A minha lógica para esse evento popular bancado pelo setor privado era a seguinte: Assim como as grandes produtoras organizam seus eventos e pagam os custos e boa parcela do seu lucro apenas com os patrocínios, que isso fosse repetido para o carnaval, o Estado assim, economizaria milhões de reais, e aqueles que pretendiam lucrar com o evento, é que o bancariam (não apenas com investimentos nos camarotes, e em áreas de vendas de produtos).

Mas no Regra Soma 4 – O Valor da Farra, foi colocado um contra ponto na balança: e os pequenos empreendedores? Os vendedores ambulantes que tiram dali o seu dinheiro extra? E a cultura local? E a cultura nacional? Diante da crise econômica vigente no país, estariam os empresários dispostos a investir no carnaval um valor tão alto? E se eles não investissem, não teria mais a farra? E a população de baixa renda que aguarda ansiosamente essas datas para poder sair às ruas festar de maneira gratuita (a chamada pipoca)? Como ficaria toda essa questão?

E diante do confronto de ideias cheguei a seguinte conclusão: o carnaval não gera apenas prejuízo, ele também gera receita para os hotéis, restaurantes, companhias aéreas e tudo mais. Todos esses setores pagam impostos, logo uma porcentagem do valor investido acaba voltando para o Estado. Mas ainda assim temos as mortes, as depredações, a poluição e os diversos problemas citados acima, valeria mesmo a pena o Estado pagar para ter esses resultados nocivos ao seu povo? A resposta para isso está na seguinte reflexão: Uma vez que o povo paga os impostos e esse mesmo povo é a favor da farra, ele tem o direito de ter a farra. Que tal encontrarmos um equilíbrio nessa balança e ambos os setores cooperarem para que a festa aconteça, o estado lucre com seus impostos, o setor privado lucre com a venda de seus produtos, a população carente lucre com a cultura que lhe é ofertada de graça?

Está então no meio termo o lugar de maior conformidade com o mundo ideal. Eu proponho um racha, 50% pra cada. O Estado banca metade dos custos e o setor privado (aqueles que lucram de maneira direta com a festa) a outra metade. Vocês querem a festa grandes empresários? Faremos a festa então, mas no estilo de festa americana.

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