Sobre a rivalidade em ser feliz

Ontem foi dia de clássico futebolístico na cidade e confesso que estava neutra com relação a tudo o que já tinha rolado e ainda iria rolar. Tinha expectativas sim, afinal, o time para qual torço ganhou do rival na última semana. Mas foi apenas isso, minha mente estava tão longe quanto uma bola sendo jogada naquela brincadeira de infância chamada gol a gol.

A vantagem era grande, os gritos incessantes e os fogos de artifícios eram estrondosos. Mas, mesmo com tudo isso, meu foco estava em curtir a família e fazer um típico programa de domingo com uma criança de três anos e meio: assistir desenhos que me levassem além daquela rivalidade inconsequente que só o futebol pode causar.

O meu motivo para fugir disso tudo, nem que fosse por algumas horas, não era nem o barulho dos fogos, nem os gritos, muito menos a vantagem de três gols que a gente tinha. Na verdade, mesmo se eu não torcesse pra time algum, eu saberia o resultado do jogo e, consequentemente, do campeonato, através de uma postagem no meu feed de notícias do Facebook ou de um retweet no Twitter. As informações nunca foram tão abundantes como nos dias de hoje. Mas, ao mesmo tempo, os argumentos nunca foram tão superficiais.

Já vi de tudo e mais um pouco nesses mais de vinte anos de existência, mas nunca consegui entender essa rixa que há entre torcedores. Algo que deveria ficar só dentro do perímetro do estádio se expande para horizontes infinitos, destruindo o que é do povo, proferindo palavras de ódio gratuitas. Os mais radicais não se contentam apenas com a alegria de ver o seu time sendo campeão, eles querem mais. Querem denegrir a imagem que há do outro, querem humilhar, jogar no chão e pisar em cima. Aí eu te pergunto: pra quê?

Pra que ofender o próximo por conta de algo que era pra ser um lazer? Por que rebaixar alguém pelo simples fato dele não ter o mesmo gosto que você? Em que fim todo esse ódio, esse descaso, vai dar? Hoje se você ganha, amanhã você perde. São as regras do jogo; a lei da vida. Nem todos os dias são apenas de conquistas, as derrotas são necessárias pra gente aprender a conviver em conjunto, em sociedade, numa torcida só.

Ao menos as partidas eram pra ser assim, agora eu já nem sei.

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