Ditando o tom

No auge de meus dezoito anos percebi uma falha moral assombrosa em minha existência: o desconhecimento de minha própria cultura. Procurando suprir essa ânsia de brasilidade, pus-me a assistir o documentário Fabricando Tom Zé (2007), de Décio Matos Jr.

Aquele senhor de óculos arredondados, cabelos desgrenhados e de fala enérgica me acordou como um estrondo: “Não ter energia é uma experiência fantástica”, disse Tom Zé em determinado momento.  Ouvi em suas palavras e principalmente em seu silêncio, a necessidade exasperada de criar da qual compartilho. Com lucidez ritmada, ele imprimiu em cada célula de meu corpo não um sopro, mas um vendaval de vida.

Sua capacidade de reinventar suas raízes arcaicas e trabalhar os ruídos da urbanidade é atemporal. Criador de uma arte que ressoa no estômago e que abraça as dimensões do experimental, Tom Zé construiu a narrativa de corpos de uma terra em transe, buscando através da cadência de sons o despertar.

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