A Balela profunda e poética de Padú

Calma, aquieta um pouco a alma, reduz a velocidade do caos em que você vive. Te convido a introspectar-se. Respira fundo, conta até dez, inspirando e espirando lentamente a cada intervalo de número. Para ouvir o que vou te apresentar aqui hoje é necessário que se esteja centrado, quieto e em paz consigo.
Você já ficou triste com o término de um namoro? Você já teve uma discussão terrível que você tinha certeza de que ao se findar aquela sequencia de palavras geladas que saiam da boca do amado, tudo estaria terminado entre vocês? Diante disso, você já tentou adiar com todas as possibilidades possíveis o término dessa conversa? Já preferiu dormir antes do (já) anunciado fim chegar? Desejou o último beijo, a última noite de amor, ou mesmo de paz antes de tudo desmoronar? Pois bem, é disso que a canção Balela do músico Padú nos conta. Isso fazendo uma leitura literal da letra, mas quanto aos sentimentos que nos são injetados enquanto a deleitamos, podemos enxergar perfeitamente o nosso desespero perante a ainda desconhecida solidão, perante a perda do conforto, diante da mudança de mundo, de cidade, de pensamento, diante do abismo que nos é apresentado quando percebemos as mazelas da nossa alma. Queremos nos segurar, não queremos encarar esse novo mundo, muitas vezes preferimos mais uma noite de amor com a ignorância do que a dor do saber. A despedida costuma ser assim, doída, inaceitável e um tanto quanto amarga.

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“Essa Balela de ir embora, e me deixar aqui tão só
Não se esqueça que eu te gosto, até antes do que for dizer
Me dê esse recado quando amanhecer
Nós, só nós, tão sós aqui

Mais um beijo de sussego pra quietar a minha dor
Pra falar do nosso amor
Nós, só nós, tão sós aqui”

Paulo Eduardo tem 20 anos, é natural de Matão-SP. E é de lá, da cidadezinha de um pouco mais de 80 mil habitantes que surge o Padú. Garoto simples, aparentemente detalhista e de um talento refinado. Nas próximas linhas você vai acompanhar uma entrevista que dança entre a poesia e a vida nua e crua, como ela é:


Erick Reis – Quem é o Paulo Eduardo?
Padú – Sou eu, porém na minha intimidade, não me expondo tanto, não dando espaço para os sentimentos serem vistos.

E – E é por não aguentar guardar seus sentimentos no peito que o Padú ganhou vida?
P – Sim, na verdade sempre fui muito introspectivo, porém sempre tive a cabeça bem nebulosa quanto a tudo ao meu redor; até que decidi expor mais meus sentimentos, criar uma linha segura de contato entre mim e as pessoas, uma forma que eu pude expressar tudo o que penso e sinto e ao mesmo tempo botar uma ”trilha sonora” em momentos da minha vida, bons e ruins.

E – E quando foi que você tomou essa decisão? Qual era o cenário em que você se encontrava?
P – Bom, tomei essa decisão há uns 2 anos, o momento da minha vida era bem complicado, meus amigos todos haviam se distanciado por faculdade, namoro, todos mudavam suas rotinas. Me encontrava morando em outra casa que não a de meus pais, e então criei alguns eventos de poesia e arte para os artistas da cidade, o Poeme-se, e comecei a gostar desse contato de arte com as pessoas, até porque foi a primeira vez que me expus pras pessoas me conhecerem e o resultado foi bem positivo, tanto na cidade, quanto nas pessoas.

E – E quem são suas inspirações?
P – Ah, gosto de muita coisa – da música clássica ao Indie rock, mas acho que de Keaton Henson, Sleep Party People a Radiohead e Los Hermanos.

E – Você lança seu trabalho em um momento conturbado no país. Você acredita que o caos pode sensibilizar as pessoas para a arte?
P – Acho que talvez o meu trabalho e o de muitos outros nesse momento, terá certamente um papel muito importante pras pessoas, se eu conseguir melhorar pelo menos 5% das relações sociais de hoje em dia, ficarei feliz com o papel que tive nisso.

E – Você é um cara que não usa WhatsApp, agora comentou sobre melhorar as relações sociais, você acredita que a tecnologia tem estragado os indivíduos e isolado as pessoas? Me fala um pouco sobre essas relações sociais.
P – Acredito que a tecnologia é uma faca de dois gumes, ela te dá milhares de coisas, mais ao mesmo tempo pede muitas outras em troca. Hoje em dia as relações sociais se tornaram um tanto quanto superficiais, a tecnologia nos torna muito individualistas, quando não, nos isola de um contato mais próximo com o outro, é raro hoje em dia as pessoas serem uma comunidade e ajudarem umas as outras, tem muito egoismo envolvido e desamor.

E – Eu acredito que as pessoas não conseguem viver em comunidade por não conseguirem viver consigo mesmas. As pessoas encontraram na tecnologia a desculpa perfeita para projetar aquilo que elas gostariam de ser. Então por viverem um “eu” de faxada elas não conseguem viver um “nós” de fato. Em resumo, eu creio que a tecnologia apenas veio para mostrar o quanto as pessoas estão perdidas de si, e é por isso que elas não se encontram em comunidade. Você concorda com essa ponto de vista?
P – Não plenamente, tenho esperança que todos encontrem o caminho de volta pra casa, de volta pra quem elas são de verdade e sejam no final Amor.

E – E estaria na arte a esperança do retorno ao lar?
P – Acredito que em parte sim, a outra parte vai de quão aberta as pessoas estão, as pessoas só voltarão ao lar quando elas sentirem essa necessidade, a arte em si tem um papel importante sim, mas as pessoas tem um ainda maior.

E – Agora que as pessoas conhecem um pouco mais sobre você e sua visão de mundo, quero falar um pouco mais do seu trabalho. De onde surgiu a ideia do nome do disco?
P – Acredito que todo o momento da vida, é como um conto, pode acabar feliz ou triste, no meu caso a maioria não foi tão bom assim, então dai o nome Contos de um coração partido.

E – A dor te ajudou a compor?
P – De certa forma sim, acho que quando o ser humano se sensibiliza, ele enxerga todo o resto de forma mais poética.

E – O que esse trabalho representa para você?
P – Um dialogo sincero com o público, expressando o que sinto e o que penso, uma forma de juntar várias pessoas bacanas em um lugar pra que não se sintam tão sozinhas e saibam que por ae tem muita gente que pensa e quer as mesmas coisas que elas, o Amor.

E – E quanto ao processo de produção, falta quanto pra estar tudo 100% pronto?
P – Eu espero que até o começo de setembro ou final de outubro já tenha terminado tudo, não falta muita coisa, a maioria dos arranjos eu já terminei, o meu amigo e percussionista (Murilo Fuschino) tem trabalhado em muita coisa também, mais acredito que até o fim de outubro já possa disponibilizar o disco gratuito na rede pra dowload.

E – Ele está sendo gravado em casa ou em algum estúdio?
P – Eu diria meio que os dois, já que considero lá a minha casa também, tem sido gravado no estúdio de um amigo meu, músico também o Eric Uliana da banda Vênnus.

E – E qual é sua expectativa com esse lançamento?
P – De que as pessoas gostem e acima de tudo que eu consiga tocar o coração delas.

E – Tenho certeza de que está no caminho certo para isso. Para a gente encerrar Padu, se essa fosse a sua última oportunidade de deixar um recado para toda a humanidade, qual recado você deixaria?
P – Sejam sinceros.


E é diante de todo o sentimento dessa entrevista que lhes apresento a primeira canção divulgada do disco Contos de um coração partido. Com vocês Balela!

Não esquece de seguir o cantor Padú na sua página no Facebook


 

Tem alguma banda que você gostaria de ver aqui no Regra? Encaminhe um e-mail para regradostercos@gmail.com.

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