A Editora Estronho surgiu para abrir espaço para artistas independentes

Quem já sonhou em ser escritor sabe que as barreiras são diversas. Muita gente de talento não consegue se lançar na carreira devido a todas as dificuldades que encontram pelo caminho. Foi perceber essas dificuldades e ter a convicção de que precisava fazer algo para mudar, que motivou o escritor e editor Marcelo Amado a abrir a Editora Estronho. Marcelo tem 47 anos, filho do seu João Borges Amado (in memorian) e da senhora Carmélia Dias Amado, nasceu na cidade de Belo Horizonte e já morou em algumas cidades, dentre elas Varginha. Marcelo nega que tenha recebido uma influência muito forte das cidades de onde morou para formar seu gosto literário, segundo o escritor, sua influência maior veio da própria internet de onde ele garimpou os seus primeiros autores favoritos lá pelos meados de 2005. Conheça agora um pouco mais do sr. Estronho.


Regra dos Terços – Me conte um pouco de você. Onde você nasceu e cresceu?
Marcelo Amado – Nasci em Belo Horizonte, MG. Cresci em cidades diferentes, pois na época meu pai era auditor bancário e vivíamos mudando. Morei em Vitória (ES), Muriaé (MG), Piraúba (MG), Varginha (MG) e depois voltamos para Belo Horizonte onde passei o final da infância e toda a adolescência.

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RT – Qual desses lugares que mais te inspirou para a literatura?
MA – Olha, não sei se tive tanta influência assim de uma cidade… mas se fosse escolher uma, seria Belo Horizonte por ter passado mais tempo de minha vida. Eu diria que minha influência maior veio da internet mesmo, de ler autores nacionais de terror, lá pelos anos de 2005.

ER – Quais eram os nomes por traz dos seus primeiros contatos?
MA – Alguns tantos escritores da época, mas posso destacar Richard Diegues, Gianpaolo Celli, Camila Fernandes, Giulia Moon, Adriano Siqueira. Mais tarde, já com a editora, esse leque aumentou bastante (risos).

RT – Aproveitando a deixa então, o que te levou a abrir sua própria editora?
MA – A dificuldade de publicação de bons autores que eu conhecia na época (2010), que aparentemente está logo ali, mas não tinha essa facilidade toda que tem hoje para publicar. Haviam sim algumas editoras, mas muita picaretagem no meio.

RT – Você acredita que falta um pouco disso na humanidade? Ao se perceber um erro, uma falta, tomar para si a responsabilidade de fazer pelo menos a sua parte para mudar essa realidade?
MA – A humanidade está em falta com muita coisa (risos)… uma delas é essa sim. Muita gente tem boas ideias e vive reclamando que não faz porque não tem apoio, porque não conseguiu edital, porque não tem patrocínio bla bla bla… O lance é começar, seja como for. No caminho você acerta as falhas, encontra gente que quer caminhar ao lado pra fazer acontecer. Claro, vai encontrar pilantras e preguiçosos, mas isso faz parte. Resta saber separar as coisas e não se deixar levar pelo mais fácil, que muitas vezes cai no “errado”.

RT – E qual seria o segredo para encontrar essas pessoas que ajudam a fazer a coisa acontecer? As pessoas mantém uma relação fria umas com as outras, sempre mantando a distância, “cada um no seu quadrado”. Você acredita que o segredo para encontrar essas pessoas estaria numa relação mais pessoal, sincera? Ser mais entregue na vida lhe ajuda a conseguir resultados mais sólidos no profissional também?
MA – Sem dúvida. Os melhores parceiros que temos na editora, por exemplo, são aqueles mais abertos a uma relação menos fria, excessivamente profissional. São pessoas que lutam pelo que amam fazer, alguns bem sucedidos, outros ainda tentando realizar um sonho, mas todos de bem com o que fazem. Obviamente que nem tudo são flores e nem todos são confiáveis. Muitas vezes temos que fingir que não sabemos que estão se aproveitando de alguma situação, fingimos de bobo para evitar decepções. E se não fosse assim, não seria a raça humana. Mas, repito, as melhores parcerias profissionais e de amizade são aquelas que fogem do excesso de seriedade. Aquelas que aceitam criticar e serem criticadas. Aquele parceiro que chega pra gente e diz “olha, achei legal o que você fizeram mas vi algumas coisas que poderiam ser melhoradas”. E saber ouvir… saber que por mais que a gente tenha estudado, que por mais que o outro que está criticando não seja do seu meio, ele pode ter razão em alguma coisa que está apontando, justamente porque não está viciado no seu cotidiano. Mas infelizmente nem todo mundo aceita “pitacos”.

RT – Em algum momento você já teve que escolher uma amizade ou um parceiro profissional? Nesse caso, com qual dos dois ficou?
MA – Você diz para realizar um trabalho?

RT – Na vida, em uma situação onde você percebeu que seria impossível manter uma amizade trabalhando com a pessoa, qual escolha você fez? Ou se isso viesse a acontecer, qual escolha seria feita?
MA – Cara… isso aconteceu, mas há muito, muito tempo. Início dos anos 90, eu trabalhava numa transportadora e era encarregado do setor responsável pela expedição de conhecimentos de transporte. Um amigo meu de adolescência trabalhava com a gente, mas ele vinha prejudicando a produção do departamento porque ficava de conversa o tempo todo com a secretária (eles vieram a se casar depois). Foram muitos avisos e conversas até que não deu pra segurar a barra mais. Tive que levar o caso pro supervisor que o demitiu. A amizade terminou, infelizmente. Ele não soube separar as coisas. Se eu faria de novo? Sim…

RT – Ao meu ver falta isso nas pessoas, enquanto por um lado sinto que falta um pouco de sensibilidade, por outro sinto que falta – e muito – o fator de honestidade, consigo e com o outro. Você acredita que essa seria outra coisa que falta nas pessoas? Terem pulso para assumir suas posições? Pulso para agirem segundo aquilo que acham correto, mesmo que lhe custe caro?
MA – Sim, isso entra no que já falamos, da sinceridade na parceria, seja ela profissional ou não. Se você aceita essa sinceridade a coisa flui naturalmente. Mas quando o ego e a teimosia falam mais alto, a pessoa interpreta de forma errada as intenções do outro. E tem esse lado também de gente que passa por cima de erros e falhas do outro por amizade. Sinceramente, pra mim isso não é ser amigo. Se você gosta realmente do outro, corrija-o. Se ele não gostar, que se dane, você tentou.

RT – Você mantém essa mesma relação com os escritores que publicam na Estronho ou depende do caso?
MA – Alguns não se permitem essa abertura. Com os que permitem, mantemos sim.

RT – Você como editor se sente realizado com o que fez até agora?
MA – Ainda não (risos). Falta muito ainda. Mas estou no caminho.

RT – Você consegue visualizar um cenário no qual estaria realizado como editor?
MA – Um cenário onde uma editora pequena como a Estronho pudesse pagar adiantado os direitos autorais, que pudessem ampliar a distribuição, levar autores aos eventos fora de suas cidades… coisas assim.

RT – E como funciona o cenário hoje? O autor termina de escrever um livro, pega o telefone e liga na Estronho, a partir de então, o que acontece?
MA – Há todo um processo. Primeiro a gente faz uma primeira leitura rápida pra ver a qualidade do texto e se nos interessa publicar. Depois, fechado o contrato, passamos para a parte de leitura crítica, sugestões de melhoria no texto… o autor recebe o texto de volta para fazer as mudanças e retorna pra gente. Entra a revisão ortográfica e em alguns casos mais uma leitura crítica. Finalizada essa etapa, vem a parte do projeto gráfico. Depois é cuidar da impressão e distribuição (a parte mais chata e pesada).

RT – Quantos livros a Editora Estronho já publicou até hoje? Desses, quais são os mais vendidos?
MA – Com os lançamentos de junho agora, vamos chegar a 85 publicações. Ultimamente os livros da coleção de cinema são os mais vendidos e também os de contos ou romances de horror.

RT – E desses 85, quantos são de sua autoria? Qual seria a “menina dos seus olhos”?
MA – Como editor, praticamente todos são (risos). Como autor solo vou lançar o terceiro livro agora em junho (primeiro romance). E ele é sem dúvida o preferido no momento. Romance de horror, diga-se de passagem.

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RT – Falando em junho, a Mondo Estronho inicia no último dia desse mês. Quais são as principais atrações?
MA – Isso, de 30 de junho a 3 de julho. São 60 filmes, entre curtas, médias e longas (todos nacionais independentes), oficinas de origami, literatura, criação de personagens, exposição fotográfica com arte tumular, bate-papos e palestras de cinema, quadrinhos e literatura. Uma peça de teatro, shows com Repelentes, Offal e Macumbazilla, feira de livros… enfim, um bocado de coisa. Tudo gratuito. A programação completa está no www.mondoestronho.com.br

RT – Se você só pudesse deixar um único recado para os aspirantes a escritores, qual recado seria?
MA – Ixi… tem uma lista (risos). Mas se tem que resumir em um só, vamos tentar: Leia muito, de todos os gêneros possíveis e não só o que você curte escrever. Pesquise, vá aos eventos, participe de bate-papos e não deixe seu ego estragar tudo. Tem autor que publica um, dois livros e já acha que não precisa mais ouvir ninguém. Que virou “O Escritor”. Escreva o que você gosta, pule fora de modinhas… quer dizer, isso se você quer ser um escritor e não um autor comercial.


Assim segue Marcelo, sendo tutor, amigo e editor dos escritores que assim desejam. Mas do lado de cá, do lado dos leitores, apreciadores da boa arte, o real desejo é que surjam mais e mais Marcelos para que tenhamos a oportunidade de conhecer os artistas independentes que ainda lutam e muito para encontrar espaço para expor sua arte. Não esqueça de curtir a página da Editora Estronho no Facebook.


Tem alguém que você gostaria de ver entrevistado aqui no Regra? É só enviar um e-mail para regradostercos@gmail.com. Não esqueça de curtir a nossa página no Facebook.

E assim segue o Regra dos Terços sempre divulgando e incentivando a arte independente.

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