Varrido pela Autoridade

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 Uma das coisas que eu menos gosto de fazer na vida é, sem dúvida, varrer o quintal. Durante as semanas uma camada de poeira vai se formando sobre o chão e em algumas épocas do ano dá pra colher um saco de folhas secas que caem das árvores dos vizinhos. Não que eu seja preguiçoso ou relaxado, mas, na falta de adjetivo, prefiro me classificar como inabilidoso, se é que preciso me classificar como algo.

 Varrer o quintal é uma tarefa muito difícil pra mim. Preciso identificar a direção do vento e prossigo escolhendo o ponto de onde vou partir. A vassoura, normalmente velha e desgastada, dificulta o trabalho em algum grau e, depois de começar, demoro um tempo razoável até terminar, meus pés ficam pretos e eu quero um banho. Admiro quem faz isso rotineiramente.

 Apesar das minhas justificativas para procrastinar, existe um ser humano capaz de me tirar desse estado de inércia, bastando uma palavra para eu me mover e executar essa tarefa com amor sem requerer nada em troca: minha mãe.

 

 No trabalho, minha mãe lida com jovens menores da periferia de uma das cidades da Grande São Paulo, vários deles ex-detentos que intimidam a diretoria, coordenação e corpo docente da escola em que ela trabalha. Sua principal função é orientar esses jovens a se comportarem de forma adequada, garantindo o bom funcionamento da instituição, só que para isso ela não possui poder e não há o que fazer caso ninguém a obedeça. Mesmo assim minha mãe volta pra casa todos os dias com ar de missão cumprida cheia de novas crônicas pra me contar.

 

 Se eu me recusasse a varrer o quintal certamente ficaria de castigo ou levaria uma bronca. Mas por que jovens que não tem nenhum vínculo com a minha mãe, a obedecem mesmo ela não possuindo nenhum poder sobre eles?

 A resposta está em: autoridade.

 

 Para o filósofo e sociólogo alemão Max Weber, a autoridade é a capacidade de influenciar as pessoas a fazerem, por vontade própria, o que você precisa, enquanto poder é forçar, exigir, coagir.

 Várias personalidades históricas são exemplos de pessoas com pouco ou nenhum poder mas que, por meio da autoridade, lideraram movimentos sociais que mudaram o mundo. Como: Mahatma Gandhi, Martin Luther King, Madre Teresa de Calcutá, Jesus Cristo, Nelson Mandela e outros.

 Enquanto o poder é associado normalmente a um cargo, a autoridade é definida como uma característica comportamental própria da pessoa, pois envolve uma submissão voluntária, e independe de posição social, econômica ou política.

 

 Isso pode nos levar a outra pergunta: como se conquista a autoridade? Eu poderia dissertar sobre isso em mais alguns parágrafos, mas, inconvenientemente, tenho que varrer o quintal agora.

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