A árdua tarefa de escolher (ou ser escolhido)

17 anos e já somos obrigados a decidir o que faremos pelo resto dos nossos incontáveis dias. 17 anos. Alguém que não está mais na infância, mas também não encontra-se como adulto, pois perante a lei essa pessoa de 17 anos ainda não atingiu a maioridade. Às vezes, nem a maturidade suficiente para decidir o que fazer pelo resto da sua vida ela não atingiu também. E isso pra que? Pra garantir à família que você está seguindo exatamente os passos que ela já havia planejado antes mesmo de você nascer? Infelizmente, na maioria das vezes, a resposta dessa pergunta é sim. É inacreditável o quanto somos induzidos a seguir um caminho cujo qual não tivemos nem o direito de escolher. Ou, se tivemos, foi apenas para contrariar. Meu caso, por exemplo.

Deslumbrada com uma palestra bem meia boca sobre Publicidade e Propaganda, pus na cabeça que era aquilo que queria fazer pelo resto dos meus dias. Bati pé, fiz vestibulares, assinalei o curso nas alternativas do Sisu e então, finalmente, eu passei. Contra a vontade de grande parte da família, eu passei. E após isso, um, dois anos se passaram e nada no curso me chamava a atenção. Onde está a parte da fotografia que foi vendida por 10 mil reais que tanto foi falado naquela palestra?, eu pensava. Pois é, não existe. Na verdade, ela até pode existir, mas percebi que o olhar fotográfico necessário para a arte de fotografar não existia em mim. Até tentei, fiz um curso básico e tudo o mais. Mas não adiantou da mesma forma. Eu queria desistir, jogar tudo o que havia conseguido até então para o alto e partir para outra. Em partes porque eu não gostava do curso, em outras porque queria conhecer coisas novas. Bem que dizem que os jovens dessa geração se cansam facilmente das coisas. Sim, eu sou um exemplo disso também.

Pois bem, o que faria então? Direito? Engenharia? Não, isso era o que a família queria. Resolvi tentar Biologia. Eu gostava das aulas no colégio, então por que não, certo? Fiz ENEM pela segunda vez, esperei abrir o Sisu, pra finalmente perceber o que estava bem na minha cara: eu não queria aquilo, eu me induzi a querer – de novo. Incrível como gostamos de nos autossabotar, hein?! É muito fácil colocar algo na cabeça e mentir para si mesmo, dia após dia, que aquilo é o certo. Por mais que seja difícil de aceitar no começo, uma hora você acaba acreditando em sua própria mentira. Tá, não passei, e agora?, era o meu dilema. Continuei no curso que já estava fazendo. E ainda bem, pois encontrei algo que me identifiquei: a redação digital. Por que não me apresentaram isso antes? Tem tudo a ver comigo, afinal, eu já gosto de escrever. Aham, ok.

Os anos continuaram a passar, o curso acabou, eu me formei. Com apenas alguns estágios no currículo, caí no mercado de trabalho. E aí? E aí que fui, me desafiei, trabalhei com exatamente aquilo que aprendi e aperfeiçoei ao longo do tempo. Experiências sempre são bem vindas e talvez se não fossem por elas, jamais teria feito uma especialização que une a comunicação com a cultura. Sim, isso é possível. E sim, uni em um só curso o útil ao agradável. Conheci pessoas, conheci novas facetas da comunicação que não me foram apresentadas lá atrás e conheci a minha verdadeira paixão: a redação. Não a digital ou a publicitária, mas a redação em si. E quando finalmente conheci isso foi que agradeci por todos esses passos e tropeços que compõem o meu caminho. Sem eles eu nada seria; nada aprenderia. E por Deus, como aprendi.

Aprendi que, mesmo com esses anos que separam os meus 23 dos meus 17, continuo sem saber o que fazer pelo resto dos meus dias. Mas que, independente do que seja, o gostinho de saber que estou ao menos no caminho certo vai ser bem menos amargo hoje do que antes.

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4 comments

  1. […] Aos 17 anos, pessoa nenhuma sabe o que quer fazer da vida – tirando, é claro, aqueles que já nasceram com o dom e meudeus preciso passar em medicina. Fora esses, acho muito difícil mais alguém ter tamanha certeza – mas eu posso estar enganada também. Pois bem, eu me encaixo perfeitamente naquele aglomerado de gente que se pergunta todo santo dia o que é que está fazendo com a sua vida. Sério, queria não fazer parte dessas pessoas, mas eu também sou uma e sou passível de erros. Certo? […]

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