D. S. Binkowiski e Os Senhores do Tempo

Um livro de fantasia, cheio de aventuras e surpresas. Os Senhores do Tempo conta a história de Thiago, um mestiço meio elfo, meio homem, que foge de casa e leva três amigos junto. A mente por trás dessa história fascinante é o jovem escritor Diego Samuel Binkowski ou D. S. Binkowski como é conhecido o jovem de 23 anos (ou mais segundo ele mesmo), nascido no interior do Paraná, em Guarapuava. Filho do seu Theonísio e da dona Maria Binkowski ele é tímido, sonhador e amante da solidão. D. S. encontrou na escrita a sua fuga, o escape para dar vasão aos sentimentos que lhe tomavam o peito. Sua principal referência é a criadora do best-seller Harry Potter JK Rowling, e seu maior sonho é deixar uma marca para os leitores de sua obra. Diego enfrentou a solidão, depressão e o isolamento, para tão somente entender que é na arte que ele encontraria o espelho do seu verdadeiro eu. Assim como Diego faz para criar te aconselho a pegar um café, ou um vinho e mergulhar nessa deliciosa conversa com o escritor D. S Binkowski.


Erick Reis – Diego, iniciemos com a sua infância. Você era um rapaz popular ou o oposto disso?

D.S. Binkowski –  Eita, vamos dizer que era o oposto disso. Na verdade eu era um pouco tímido na infância e parte da adolescência e evitava chamar atenção dos outros.

E – Essa sua timidez te levou a solidão?

D – E a depressão também. O que é engraçado por que de fato eu nunca estive sozinho, sempre estive rodeado pela família e por amigos, mas se sentir solitário não é a mesma coisa que estar sozinho, claro, só que eu cresci no interior do Paraná, onde tudo é pequeno, incluindo a mentalidade e a abertura das pessoas pras coisas novas.

10369898_1109915732376303_5251456037719201191_n

E – E teria sido por não encontrar coisas que te sustentassem e que te fizessem se sentir parte do todo, que você começou a ler? Você teria procurado na leitura encontrar um espelho?

D – Ler era o escape para um garotinho de dez, doze anos que sabia que era diferente do resto dos amigos, que sabia que não se encaixava no padrão estabelecido pela sociedade em que viva. Mas escrever era e ainda é o espelho. E quero dizer que escrever se tornou a minha terapia e o meu remédio na tentativa de manter a calma e um pouco de sanidade também.

E – Qual foi o momento em que esse garotinho conheceu o espelho da escrita? Quando você somou a leitura com a a arte de escrever?

D – Por volta dos quatorze anos, eu acho, quando minha professora de história [e madrinha] deu um trabalho em sala de aula, o trabalho era escrever um livro. Esse foi o primeiro passo, mas eu não tinha percebido a importância disso ainda e sem perceber, comecei a escrever pequenos contos, crônicas, poemas. Foi só quando entrei pro ensino médio que percebi o quanto isso significava e o que significava.

0181d117-3cab-44d0-8214-e12905465d88

E – Já que você tocou nesse assunto, o que significa?

D – Significa respirar, ter liberdade, poder construir mundos melhores que a nossa realidade, desconstruir paradigmas, dar vazão a sentimentos e deixar algo que valha a pena nesse mundo infernal.

E – Se escrever desse pena de morte, você se arriscaria a ainda assim fazê-lo? Porque?

D – Uau, essa foi legal! (risos) Provavelmente sim, por que sou petulante o bastante pra entender que algumas regras foram feitas pra serem quebradas.

E – Isso também se encaixa nas regras ortográficas? Você como escritor se arrisca a criar suas próprias regras?

DSIIIM, não sei escrever sem usar neologismos. Por exemplo, nesse livro que vou lançar agora, Os Senhores do Tempo, usei e abusei disso, tanto é que precisei aprender um pouco de Teoria da Linguística pra poder desenvolver a língua que se fala dentro da minha história. E o fato de você ser escritor é poder ultrapassar essas regras, porém, a única regra que eu não ultrapasso, ou pelo menos tento não ultrapassar, é a regra de sempre deixar bem claro pro leitor o que ele está lendo e aonde a história pode chegar [não que vá].

E – Já que você tocou nesse assunto, sobre onde a história pode chegar. Como funciona o seu processo de criação? Você simplesmente escreve o que te agrada como leitor ou deixa os personagens falarem por si, viverem por si e morrerem por si? Você pensa muito em chegar a um resultado, ou o resultado surge no processo muitas vezes até mesmo te surpreendendo?

D – Eu não penso no resultado, deixo a escrita fluir, por que se você ficar preso nessas regras, a escrita acaba sendo muito formal e se perde numa bagunça de frases. Mas normalmente eu já tenho o final, eu sei até onde a história vai, o que eu faço é criar os meios pra se chegar nesse final. Só que eu não consigo escrever sem ter o título da história. Dificilmente eu altero um titulo, por que a ideia das minhas histórias sempre são a resolução que o titulo trás como problema. Porém, se você quer saber se eu tenho uma formula pra escrever: eu não tenho. Eu só sento na cadeira com uma xícara de café ou uma taça de vinho, ligo uma musica, releio os últimos dois ou três capítulos da história, relembro minhas anotações mentais e escrevo.

#‎OsSenhoresDoTempo‬
A Espada, o Espelho e o Relógio
Capitulo III

O lêmure pigarreou, mexeu-se no cadeirão de madeira mal esculpido onde estava sentado e esforçou-se para levantar por causa do barrigão – herança das canecas de cerveja doce que costumava beber na Taverna.
– Não importa quem achou ou deixou de achar os mortos – disse o lêmure – não importa quem morreu ou deixou morrer. Importa saber o que está matando os nossos. Como líder de Roída, eu quero qualquer besta ou demônio longe do meu povo.
Um silêncio abateu-se sobre todos que estavam presentes no Conselho.
– Oren, prepare seus esquilos e os leve até as Nor – disse o lêmure. – Os malditos corvos que passaram por aqui na última estação nos avisaram sobre ogros e trolls, é melhor verificar. Feodor – o lêmure voltou-se ao macaco dourado – providencie para que não faltem armas, vestes e suprimentos a esses roedores.

E – Você sofre? Escrever dói? Você já chorou pela morte de um personagem de um texto seu? Me fala um pouco dessa tortura, ela existe?

D – Existe, escrever é uma tortura constante, latente. E é até curioso dizer isso, mas eu tenho uma dificuldade enorme pra chorar, mas em Os Senhores do Tempo, nos últimos capítulos acontece uma morte e quando eu parei pra ler o que tinha escrito, estava tocando uma musica bem triste também, e foi impossível não chorar. E dói, dói pra caralho escrever, principalmente quando você percebe que o personagem que você criou precisa morrer. Os leitores não entendem como funciona esse processo. Então, sempre que a gente encontra a morte de um personagem, um personagem que gostamos, dói. Por que, claro, tem personagens que a gente simplesmente detesta. O que de certa forma nos faz sofrer e muito, por que escrever é como ser Deus, você passa por alegrias e tristezas com suas criações, algumas te dão orgulho, já outras te dão decepções. Então você sofre, você sente dor, você chora e principalmente, você ama.

E – Você acredita que suas criações são inspirações do Divino? Acredita que exista um Deus? Se sim, ele se envolve com as questões da Terra, ou assim como os escritores, deixa sua cria viver por si?

D – Bom, eu acredito em Deus, o que por consequência me faz entender que Ele dá uma força sempre que “quer” em tudo o que a gente precisa. Mas normalmente, não gosto de deixar as coisas que eu acredito influenciarem nas minhas histórias. Procuro deixar politica e religião afastadas disso. Em Os Senhores do Tempo eu criei um mundo com uma política, uma cultura, um idioma próprio o que por consequência, faz com que eles acreditem em algo, mas assim como é pra mim, deixo que cada personagem  guarde essa crença para si. Só que eu também coloquei a Morte como personagem na história, justamente para dar um contraponto ao fato de Deus ou qualquer outro ser divido não ser citado e adorado na minha história.

E – O que mudou do Diego tímido da infância pro Diego de hoje? A timidez ainda é a mesma? Os medos? A depressão?

D – Enfrentei a timidez e a maior parte dos medos. Mudei meu modo de ver o mundo e as pessoas. Acho que posso dizer que amadureci muito em muito pouco tempo. Mas ainda sou tímido pra muitas coisas. Não sei puxar conversa, não sei flertar, não sei puxar o saco, não sei lidar com câmeras e microfones. Mas alguns medos ainda existem: tipo agora com Os Senhores do Tempo, mesmo ele estando pronto, em papel e tinta, eu olho pra ele e penso: “e se não der certo? e se for um fiasco? e se eu não der conta?”.

E – O que seria não dar certo? O que o categorizaria como um fiasco?

D – Eu não sei, é que a gente vai criando barreiras e mais barreiras quando as coisas vão dando certo, justamente por que você não tá acostumado com as coisas serem assim. Eu aprendi a lutar pelo que acredito, a conquistar quase que a força as coisas que sonho e desejo. E não dar certo seria algo do tipo: todo mundo achar o livro uma bosta, por que eu sou meu maior critico nesse processo todo de escrita, edição, produção e venda do livro de Os Senhores do Tempo.

Eu sonho grande, tão grande que tenho vergonha de falar e parecer idiota. Mas eu tracei um plano, uma meta – chame isso do que quiser – e vou chegar lá. E se der, além do lá. Não quero que me parem.

D. S. Binkowski

E – Eu creio que esse medo vem devido a cultura que é pregada aí fora. Sucesso – na sociedade ainda regada pelo velho Pão e Circo – é quando algo gera dinheiro, fama, repercussão. Você concorda com isso?

D – Não vejo erro em você usar o seu trabalho pra gerar dinheiro. O problema é que nossa sociedade criticou a geração Y [e eu sou dessa geração] e fechou os olhos pra geração que veio em seguida, que é essa geração de youtubers, MCs Biels e Anittas, que falam mais do que pensam. Algumas pessoas vão dizer que é inveja da fama deles, mas eu não quero fama, quero deixar um legado útil para o mundo e para os que vierem depois de mim. Então não concordo com as regras do show business de hoje em dia, por que ao invés de incentivarmos a leitura de Machado de Assis, Agatha Christie, Fernando Pessoa, Lewis, Rowling, estamos incentivando a leitura de biografias não vividas e o que mais dói nesse processo é ver grandes editoras incentivando isso, enquanto autores com ótimas histórias estão sofrendo atrás de uma única oportunidade de mostrar seu trabalho.

E – E se tivesse a chance de mudar uma única coisa em todo o mundo, o que você mudaria?

D – O dinheiro. É um mal necessário. Reconheço. Mas seria muito bom não precisar dele pra nada.

E – E quanto ao lançamento do livro nessa segunda, qual é sua expectativa?

D – Minha maior expectativa é que a história seja aceita, seja algo que as pessoas possam entender e gostar, claro. Não tenho pretensão de ser o próximo nome da literatura nacional, por que tem muita gente boa por aí esperando uma chance como a minha, mas gostaria que minha história encontrasse um caminho pra realmente deixar algo concreto na literatura, deixar um legado genuíno para quem gosta de ler.


No dia 8 de Agosto de 2016, às 19h30, na Livrarias Curitiba do Shopping Palladium, o escritor paranaense D.S. Binkowski lança seu livro Os Senhores do Tempo, pela editora portuguesa Chiado. A entrada para o evento é franca e direcionada para todos os públicos.

13903268_1258814034153138_2636424182311469889_n

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s