Que a nossa ansiedade seja perdoada

Ansiedade é aquela parcela de nós que já está vivendo um futuro esmagador e ideológico, mas bem real dentro da sua mente eufórica, sem ar. A água nem ferveu ainda, mas você já sente a mão queimando. O adeus não foi dito, mas você já sente a solidão sentada no sofá te olhando. Poucos entendem, dizem que é frescura, falta da boa e velha: Ocupação. Mas ninguém melhor do que nós, o povo do olho estalado em plena madrugada e sem conseguir explicar aos seus pulmões que eles precisam continuar funcionando, para tentar explicar a sensação agonizante de sentir o seu crânio pequeno demais para os pensamentos.

A porta está trancada? Eu fechei mesmo gás? A coberta está pesada? Está leve demais?

É como ter um braço invisível que se estica até o infinito e se estende, buscando algo que não tem resposta. Não se explica e nem se faz plausível. E antes que nos digam “vai carpir um lote”, “você precisa passear um pouco”, calma aí gafanhoto! Porque não é a falta do trabalho, tampouco de dar uma arejada nas ideias, não. Até porque ambas as coisas nos custam de maneira demasiada, principalmente nos dias “D”, quando o comprimido vem em dose extra. Não dá para conseguir alimentar uma mente pulsante sem trincar um bocado do corpo, é quase impossível. Não somos arranjadores de desculpas, muito pelo contrário, engolimos o choro da madrugada e a insanidade mal interpretada, colocamos nossas melhores roupas e saímos ao trabalho. Um bocado a mais de café quando a noite foi enfrentada às claras, somos solitários guerreiros contra a boa e velha vontade de gritar até os ouvidos sangrarem.

Ansiosos nascem com um sentir exagerado de tudo. O julgamento pessoal de estar engolindo a vida em doses cavalares e ao mesmo tempo preocupados demais para conseguir assimilar tudo. O julgamento alheio que nos encara perguntando por que fazemos charme perante a vida, se a vida é tão boa? E é. A gente reconhece, ela é muito boa, mas tem dias que ela simplesmente não faz sentido e se torna uma batalha. Assumimos um alvo no peito, os tiros conseguem vir de todos os lados e vão nos atingindo e sendo engolidos como o melhor do sabores. Temos tempo demais, mas conseguimos respirar de menos. É um choro sem destino e remetente. Uma vergonha de assumir essa fraqueza evidente. É o passado que muitas vezes fica pulando dentro de nós com roupa diferente. Daí a culpa é jogada no trânsito, na pressa de corresponder as expectativas, no deadline do trabalho que nos atropela. A fila do metrô depois das 18h que pode deprimir até o mais feliz dos seres.

Mentira.

A gente sai mentindo para não parecer tão perdido e parecer que tem um pouco desse maldito controle. Disfarçamos o suor das mãos e colocamos um sarcasmo na cara. Somos uma pressa sem causa, uma hora de vida a mais, a colina árdua dos sentimentos. Uma luta solitária de quem adora viver o momento, mas nasceu pulsando adiante. Somos um grito de socorro escondido no silêncio e na face plácida de quem sabe que precisa segurar mais um pouco, mas no fundo desmoronou faz tempo. Contudo, aprendemos com essas linhas tortas- e cruzadas- que ansiosos nascemos e muitas vezes nos destruímos, mas jamais iremos deixar de ser inteiros. Ansiosos nascemos, precisamos de ajuda e bom senso, mas jamais teremos que pedir desculpas por isso ou arranjar um novo emprego. Não. O que nós precisamos é só de um pouco de paz.

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