A geração com ascendente em babaquices

“Eu sou assim, aceita quem quer, não irei mudar”. Um discurso muito repetido e que até está na moda- principalmente nas redes sociais. Alguns colocam a culpa nos signos, nos ascendentes e sol nas casas erradas. Eu coloco a culpa nas próprias pessoas. Esse pensamento de que é bonito ser arrogante a ponto de achar que mudar é uma fraqueza está destruindo as relações e ainda por cima vem com uma roupa falsa de “gênio forte”, que para mim não cola. Desistimos do outro por medo desse alguém nos alterar de alguma maneira. Deixamos o amor morrer porque nosso ego é grande demais para aceitar ser mutável, humilde a ponto de dizer que estávamos errados por agir e pensar de algum jeito, olhem só o que estamos fazendo! Enfiando goela abaixo dos outros uma versão bruta de seres que nasceram para ser lapidados. E não pense que eu estou dizendo para você perder a sua autenticidade e fé nos astros, não, só estou dizendo que evoluir é preciso e a humanidade agradece.
As pessoas colocam uma mensagem de total babaquice num fundo bonito do oceano dizendo: “Teimosa, autoritária e orgulhosa. Sou assim, ninguém me mudará”, e acha que isso lá é motivo para se orgulhar. Os verdadeiros teimosos- como eu, confesso- sabem como isso é um peso terrível de se carregar na maioria do tempo. Quantas vezes nos avisaram que o dedo na tomada poderia nos matar e mesmo assim fomos lá e nos machucamos? São raros os momentos em que a teimosia nos fez provar que estávamos certos em algo, na maioria do tempo é só um medo idiota de parecer frágil. Não. Não é legal e não faz bem para a saúde. Não é nada bom sermos autoritários ao extremo- acredite em mim- chega um momento que sufocamos o outro com tantas cobranças e exigências, que nos amar vira desafios de gigantes e nem todo mundo merece travar essa batalha imposta por nós, apenas por nós, impedindo que pessoas boas de verdade encontrem uma estadia confortável em nossas vidas. A autoridade excessiva se torna um elefante no meio da sala, porque quando queremos ser guiados por alguém isso se torna praticamente impossível. A verdade mesmo é que pessoas de gênio forte crescem no soco, apanham feio até entenderem que ninguém é obrigado a nos aceitar e que exercer a leveza que a humildade nos gera é o melhor dos descansos para a alma.
Somos uma geração composta por um bando de gente orgulhosa que não sabe pedir perdão e acaba se acostumando a ver as pessoas darem as costas e nos deixarem, porque simplesmente se habituou a fazer das relações um poço de expectativas- e boa parte da culpa está na Disney que nos iludiu desde cedo- e desaprendeu a enfrentar a decepção que os outros podem nos gerar. A geração do “me aceita quem quiser” é a mesma que chega em casa e mesmo tendo alguém ao lado, está só. Somos os casais que fingem uma relação para não magoar os filhos, mas se destrói dia após dia porque não é capaz de respirar e aceitar ser lapidado pela vida, e assim, oferecer o nosso melhor e salvar uma relação que tem tudo para dar certo. Somos os chefes que jogam na cara do funcionário que ele é pago para isso, dane-se se ele não concorda. Os namorados que se amam, mas preferem terminar porque mudar demasiado por alguém é um risco que hoje em dia não compensa, você pode simplesmente encontrar alguém que te aceite dessa maneira rústica. Somos os pais que preferem ter os filhos silenciados por nossa postura impassível, do que curvar um pouco a cabeça e ouvir o que eles têm para ensinar. Preferimos manter a última palavra ao permitir que o outro nos agregue, nos conduza ao melhor que podemos ser, nos mude e até nos machuque a ponto de renascermos, não conhecemos aprofundadamente o outro porque temos medo de descobrir que estivemos errados a vida inteira. Nós gostamos de estacionar numa versão 1.0 pelo medo da dor que crescer como pessoa nos gera. Somos a geração dos babacas declarados e pior: Nos orgulhamos disso.
Então, antes de vir dizer que não irá se alterar por ninguém, nunca, na sua vida, espero que você tenha claro que se você é forte o suficiente para se posicionar de forma intransigente perante as mutações que a estrada das relações nos oferece, precisa ser forte o suficiente para também perder as pessoas que ama. Porque a recusa de mudança que a vida oferece diariamente para nós sem cobrar nada- seja de personalidade, pensamentos, preconceitos e afins- é também a renuncia de evolução, e isso é um passo decisivo para romper relações e um caminho certeiro para uma vida sozinha, onde apenas você e seu egoísmo sentarão na mesa de jantar perplexos se perguntando o motivo de não conseguir manter ninguém ao lado. Espero que com o passar dos anos e gerações, a gente entenda que mudar não é ser influenciável, é apenas um ato de equilíbrio de aperfeiçoar o que somos por essência e atingir o melhor que podemos ser. Isso é corresponder à verdadeira missão do ser humano: Evolução.
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