A dura realidade onde sempre precisamos ser fortes

Eu nunca tive medo do escuro. Nem da noite, nem da luz apagada. Não, eu nunca tive. Tive medo de altura, da morte, do mal, mas do escuro não. Nunca entendi o fato da ausência de claridade perturbar tanto alguém, talvez seja por não conseguir ver o que está ali logo adiante. Eu não entendia o porquê de ter que deixar a luz acesa ao dormir, eu não entendia o real motivo daquele medo todo. Insegurança, não sei. Na verdade, nunca soube.
 
Eu nunca tive medo de andar na rua a noite. Tive medo das pessoas que estavam na mesma rua que eu, mas isso era independente do horário. Eu nunca tive medo de bichos como barata ou aranha, mas tive da lagartixa que pode muito bem andar com seu corpo gélido sobre o meu. Eu nunca entendi direito a situação em que você deixa de lado o que mais te atormenta para simplesmente seguir em frente.
 
Nunca tive escolhas permanentes, sempre mudei muito de opinião. O que é bom pra mim hoje, pode não ser amanhã. E tá tudo bem, né? A vida é feita de mudanças. Mudanças constantes. Mudanças bruscas. Mudanças traumáticas.
 
Eu nunca entendi qual era a do trauma, até finalmente possuir um. O trauma do amor, o trauma de ser dependente de alguém. O trauma de não ser suficiente ou até mesmo o trauma de não existir mais. A gente. Nada é eterno, mas a vontade de fazer com que tudo seja é sim. Queremos ser lembrados, queremos ser reconhecidos. E disso eu sempre tive medo, de não conseguir fazer valer a pena, de não ser lembrada da maneira como gostaria.
 
Eu nunca tive medo de um dia não conseguir realizar os meus sonhos, pois no fundo sabia que iria realizá-los sim. Um a um. Um beijo, uma amizade, um show. Eu nunca tive medo de sair por aí e tentar a sorte nesse mundo tão louco que criaram. Eu até já saí, quebrei a cara, gastei dinheiro. Eu nunca tive vontade de fazer o que os outros gostariam. Casar, ter filhos, morrer junto.
 
Eu nunca tive uma relação de mãe-pai, sempre foi ela aqui e ele lá. Eu nunca entendi por que o amor acaba. Eu nunca soube o que dizer quando alguém vinha dizer que não estava bem. Eu também não estou. Aliás, alguém está?
 
Eu nunca pensei em passar por situações assim. Nunca sequer imaginei que existissem pessoas tão ruins a ponto de tirarem a minha privacidade. O meu sossego. A segurança. Eu nunca tive medo de enfrentar desafios difíceis. Mas desse eu tive. Eu to quase desistindo. Até porque eu nunca tive medo, também, de desistir.
 
Só não desisto agora porque é aquela história: alguém tem que trabalhar para que os outros tenham o que roubar.
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