Mensagens perdidas

Tenho pensado muito nesses últimos dias. Tenho lembrado de muita coisa. Coisas que aconteceram há dias, meses, quiçá anos. Acredito que esse seja o meu maior defeito: lembrar. O meu cérebro não consegue diferenciar as memórias boas das nem tão boas assim. Não são ruins, não, longe disso. Até porque se fossem, eu nem faria “questão” de lembrá-las. Elas só não são tão boas, a ponto de me fazer parar e ficar pensando sobre elas. Pensando em onde as coisas desandaram. Entende como?

Eu sou dessas que não pode conhecer uma pessoa nova. É sério, a cada vez que conheço alguém, expectativas são criadas, espalhadas, quando não vividas. E aí eu te pergunto: como que se vive de expectativas? Pois eu vivo. E nem sempre é uma experiência boa. Mas pelo menos é uma experiência. Certo? E experiências, bom… elas são feitas para serem experimentadas.

Não me arrependo de nada do que já vivi até aqui. Ok, minto, não me arrependo de QUASE nada. Mas, pelo menos eu sei que dessas coisas as quais me arrependo, eu sequer cheguei a fazê-las. Então, a culpa é toda e inteiramente minha. Mas de resto… não, não me arrependo. Eu dei a cara a tapa mesmo, conversei, chorei, me apaixonei… eu só esqueci de avisar as outras pessoas sobre isso, o que acabou me deixando vivendo sozinha algo que era para ser compartilhado. E essa sim é a parte mais triste das lembranças que trago dentro da minha cabeça – e também do meu coração.

No meio de uma dessas sessões de intensas lembranças – ontem, mais precisamente -, resolvi deixar de lado todo o meu rancor, mágoa, raiva ou seja lá o que eu estivesse sentindo no momento e ir atrás. Sim, eu deixei de lado tudo o que já me machucou até então pra dizer a alguém que eu sentia falta; que eu lembrava com muito carinho de tudo o que vivemos até ali. Se surtiu efeito? Talvez, não sei. Não, na verdade não. A coisa toda desandou, foi pra um outro lado e, pior, eu nem imaginaria que isso poderia acontecer. E fiquei até feliz que tenha acontecido, assim pude perceber que nada nesse mundo gira em torno de mim ou dos meus problemas ou da minha saudade incessante.

Pude perceber, através desse ato imprevisível, digamos assim, que às vezes faz bem botar tudo pra fora. Sei que nunca prestei pra guardar tudo o que sinto a sete chaves e é até mesmo por isso que eu escrevo. Escrevo e não é pouco. E quando algo não anda conforme o planejado, eu escrevo para tentar voltar para o caminho escolhido. Se o caminho envolve outra pessoa, aí eu escrevo pra tentar esclarecer o porquê daquilo tudo estar acontecendo. E eu escrevo, e continuarei escrevendo, até não ter mais o que dizer; até ficar aquele silêncio que diz muito mais do que as palavras conseguem dizer.

…ou até ficar o silêncio de mensagem não recebida ou lida e não respondida.

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