É preciso falar sobre empatia

Segundo o dicionário, empatia é o “processo de identificação em que o indivíduo se coloca no lugar do outro e, com base em suas próprias suposições ou impressões, tenta compreender o comportamento do outro”. Ou seja, empatia é ver o mundo através dos olhos do outro; é entender a situação como um todo não através de nossos preconceitos e preceitos, mas sim através da percepção da outra pessoa – seja ela quem seja.

O mundo atual encontra-se em um verdadeiro caos, onde as pessoas não se respeitam mais e tudo acontece apenas para conquistar o que tanto querem. O mundo se transformou em um lugar mesquinho, egoísta, xenófobo, racista e etecétera. Porém, como para todos os comuns há as excessões, ainda é possível encontrar pessoas boas e que emanam o bem para o seu próximo – independente de sua idade, raça ou classe social.

Há tipos e tipos de pessoas boas e que podem ser divididas em 3 categorias principais: uma agrega as forçadas, outra as simpáticas e a última as empáticas. Explico:

1) As forçadas são todas as pessoas que fazem alguma coisa contra a sua vontade. São aquelas que ajudam o guardador de carros ali da rua com algumas moedas, mas apenas porque há alguém insistindo para que ela faça aquilo. O sentimento (ou a sensação) daquela pessoa pode até ser bom, mas não verdadeiro.

2) As pessoas simpáticas são aquelas que propagam o lado positivo de ser para os outros, são aquelas que sorriem quando precisam sorrir – ou até mesmo quando não precisam -, são aquelas que demonstram que o que sentem é verdadeiro e bom. Pessoas simpáticas às vezes não ajudam o guardador de carros ali da rua mas não porque não querem, e sim porque não podem. Não tenho nada hoje, amigo. Desculpa.

3) As pessoas empáticas – existentes, porém em menor número – são aquelas que definitivamente se colocam no lugar do outro. São aquelas que sentem e vivem o outro, sem sequer precisar fazer muito esforço. A empatia já faz parte delas e faz com que essas pessoas sintam não só a sensação boa de alguém, mas a ruim também, a ponto delas entenderem tudo – ou pelo menos quase tudo – do que se passa com ele.

Ser empático não é simples e eu, em momento algum, afirmei isso. Porém, é só com a prática que adquirimos essa característica. É só exercitando-a, dia após dia, que nós nos tornamos um pouquinho melhores do que fomos ontem. Talvez você esteja se perguntando como começar a praticar tal ato e tá tudo bem. Não há nada de errado em ter dúvidas, muito menos em querer saná-las. E é até por isso que resolvi escrever este texto. Eu quero apresentar a vocês – e a outros também, por que não? – duas obras que tratam a empatia de uma forma simples, singela e completamente verdadeira.

A primeira, literária, chama-se Extraordinário, escrita por R. J. Palacio. O livro conta a história de um menino de 11 anos, August (ou Auggie, como é chamado pela família e colegas), que possui uma doença muito rara. Até aí, tudo “normal”. A questão é que essa doença atingiu o seu rosto completamente, deformando-o desde o os olhos – que são caídos, quase no meio das bochechas – até as orelhas – que são praticamente inexistentes. Auggie levara uma vida normal até o início da quinta série em uma escola regular, ele mesmo narra isso pra gente logo no início. Todos o consideravam como uma criança deficiente e com necessidades, mas a verdade era que ele não passava de uma criança normal, que estudava (mesmo sendo em casa), brincava e se dedicava ao vício de fã que Star Wars lhe proporcionava.

 Primeira imagem divulgada da adaptação de Extraordinário para os cinemas.
Primeira imagem divulgada da adaptação de Extraordinário para os cinemas.

R. J. Palacio teve uma grande sacada ao escrever seu livro. Ao contrário de alguns livros que contam a história de cabo a rabo apenas através do ponto de vista do protagonista, ela decidiu alternar a narração da história entre August, Olivia (ou Via, sua irmã), Miranda (amiga de Via), Jack e Summer (amigos de Auggie), entre outros. São essas diferentes narrações que dão todo o encanto e beleza que a história tem. São essas narrativas, de cada um desses personagens, que nos mostra como a empatia pode ser exercida no dia a dia. Imagine só você precisar ser amigo de alguém que foi rejeitado sua vida inteira? Pois Jack imaginou, rejeitou, se esforçou e conseguiu. Mesmo sendo forçado no início (lembra-se desse grupo de pessoas?), o garoto conseguiu ver em August a essência de um menino que só queria estar naquela escola para estudar e aprender e, quem sabe, um dia parar de ser evitado pelos demais. Ele não queria amizades, não queria que os outros sentissem pena, nem nojo, nem nada disso; queria apenas ficar na dele, enfrentar tudo aquilo e talvez passar despercebido pelos olhares fixos em seu rosto.

O livro de Palacio é uma excessão dentro de tantas obras. Ele não traz uma história de drama, ele traz uma história de superação. Ele é tão leve e possui uma narrativa tão simples, mas convidativa, que o li em cerca de 3 dias. Foram quase 72 horas lendo 320 páginas e, olha, acreditem quando digo que leria mais 320 sem problema algum. Portanto, leiam. Deem uma chance ao livro que, como seu próprio nome, é extraordinário. Mas bom, seguindo, vamos à segunda obra que mencionei, dessa vez audiovisual.

Há alguns meses, o Regra (sim, esse site mesmo) indicou o filme Little Boy. Demorei para assisti-lo, mas há 2 dias finalmente ele foi a minha escolha no Netflix. E que escolha, que filme sensacional (obrigada Erick!). Little Boy conta a história de Pepper, um menino que, por ter uma altura bem inferior aos outros meninos de sua idade e, por isso, não ter amigos, tinha apenas seu pai como parceiro. Até ele ir à guerra e deixar Pepper “sozinho”. Digo entre aspas porque o garoto não estava totalmente sozinho, ele tinha a sua fé e esperança de que, se seguisse uma velha lista do Antigo Testamento, a Segunda Guerra Mundial acabaria e seu pai voltaria rapidamente para a sua casa e sua família. Durante o filme todo, é mostrada a trajetória de Pepper em busca da concretização daquilo que ninguém entendia – inclusive em como o garoto precisou deixar tudo aquilo que tinham lhe falado até então sobre os japoneses (inimigos dos americanos na Guerra) de lado para se aproximar e criar um laço com um deles que morava na cidade há diversos anos.

Cena da despedida de Pepper e seu pai em Little Boy.
Cena da despedida de Pepper e seu pai em Little Boy.

Little Boy passa uma mensagem bela sobre a inocência de uma criança – inocência, essa, que o mundo nos rouba -, mostra como é possível fazer o bem a si e aos outros e afirma que acreditar fielmente em algo é sempre válido. A linguagem, tanto visual quanto a provinda do roteiro, é simples como Pepper; ela faz com que qualquer pessoa se coloque no lugar daquela criança que se despede do pai sem ter a certeza de que irá vê-lo novamente algum dia. E ela mexe. Ah, como mexe! Não me lembro de ter chorado tanto assistindo a um filme. Os pontos de virada do filme com certeza foram estrategicamente pensados para te pegar justamente quando você menos espera. E isso, meus amigos, é uma maneira sutil – e devastadora – de nos mostrar o que a empatia pode nos causar.

Então, com base nessas duas obras de arte espetaculares que pude experimentar na última semana – e também me baseando em tudo o que disse no início desse texto – afirmo: sim, é preciso falar sobre empatia. Não só para mudar o seu ser ou o seu viver, mas também para ajudar o outro e, quem sabe, poder mudar o mundo. Afinal, nós somos tudo aquilo que emanamos e praticamos – seja ele o bem ou o mal, a alegria ou a tristeza, a apatia ou a empatia. Entende?

Advertisements

One thought on “É preciso falar sobre empatia”

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s