Não há vantagem alguma em ser invisível

De tempos em tempos, uma sensação estrondosa toma conta de mim e, quando a encaro – outra vez -, percebo que não sei se ela é boa ou ruim. Aí, pra tentar descobrir, sempre recorro a uma obra que, para mim, é de uma grandiosidade sem fim.

Já não é mais segredo que o filme As Vantagens de Ser Invisível é o meu favorito há, pelo menos, uns 3 anos. Meu primeiro contato com ele foi um dos mais aceitáveis, digamos assim. Vi que a Emma Watson era uma das protagonistas e, então, como boa fã da saga Harry Potter, resolvi assistir. E que ótimo que usei dessa “desculpa”, pois sem ela esse filme talvez não estaria nos meus top melhores filmes da vida.

Pra quem não conhece, o filme conta a história de Charlie (interpretado maravilhosamente pelo Logan Lerman), um adolescente que está se recuperando de uma depressão desencadeada por conta do suicídio de seu melhor – e único – amigo e que irá encarar, pela primeira vez, o terror do Ensino Médio. Enfrentar uma depressão já não é algo fácil, então imagine enfrentá-la sabendo que não possui mais ninguém além de sua própria companhia. Charlie leva uma vida monótona e, digamos, careta. Pelo fato de querer ser escritor – e ser considerado como nerd por conta disso -, ele não recebeu as melhores boas vindas que alguém poderia receber. Pelo contrário, ele acabou sofrendo bullying por andar com um livro embaixo do braço e por ser sempre solitário e quieto.

Com o decorrer do filme, é mostrado as inúmeras dificuldades que Charlie possui para se aproximar de alguém. É mostrado, também, a coragem que ele toma quando se senta próximo a um repetente de uma das aulas que faz, Patrick, em um jogo de futebol da escola. Ou, ainda, a determinação que ele tem em ir até a rodinha de dança de Patrick e sua meia-irmã, Sam, bem no meio da pista do Baile de Boas Vindas, e se tornar parte daquilo também. Aproximar-se de pessoas estranhas nunca é fácil para quem, por natureza, é introvertido. Mas é possível, basta fazer uso de diversas tentativas. E Charlie conseguiu utilizá-las muito bem.

Mas e quem não consegue? E aqueles que continuam em seus cantos, quietos, sem boca pra nada? O que acontece com eles? Responderei a essa pergunta com base em experiências próprias: nada. Não acontece nada. A gente continua tentando. Nem sempre dá certo, mas o pouco que dá já é muito gratificante.

Charlie teve a sorte daqueles veteranos o acolherem tão bem – depois de terem descoberto que ele não possuía mais nenhum amigo – e poder fazer parte de algo e poder se sentir pertecente àquilo. Isso realmente possui um significado enorme para quem nunca se sentiu importante; para quem nunca foi “notado”.

Sei que sou quieto e que devo falar mais. Mas se soubesse as coisas que passaram pela minha cabeça, você saberia o que significou de verdade.

THE PERKS OF BEING A WALLFLOWER

O dia a dia de quem não sabe mais o que está acontecendo em sua vida é um misto de alegria e tristeza. Mas, nesse misto, há também a certeza de que tudo vai melhorar, nem que demore para isso acontecer.

No momento em que aquela sensação estrondosa toma conta de meu peito – que comentei lá no começo desse texto -, eu percebo que alguns sentimentos não são para serem entendidos, mas apenas sentidos. Em sua forma mais crua e nua mesmo. É preciso sentir tudo o que vem até nós, para que, assim, possamos ter uma maior convicção de quem somos e para onde vamos. O próprio Charlie narra no filme que nós não escolhemos de onde viemos, mas podemos escolher para onde iremos. Nem sempre o caminho vai ser simples, muitas vezes aqueles que você considera como amigo não estarão ali para te apoiar quando você mais precisar. Não importa o quão bom você tenha sido para eles, eles simplesmente não estarão. E a culpa não é deles. Na verdade, a culpa não é de ninguém. Nem deles, nem sua. Porque você não tem controle sobre a sensação de se sentir solitário mesmo com tanta gente ao seu redor.

Eu tento me lembrar quando me sinto ótimo, como agora, que haverá outra semana terrível algum dia. Então procuro guardar o maior número de detalhes que posso e, assim, na próxima semana terrível, vou poder lembrar esses detalhes e acreditar que vou me sentir bem novamente. Não funciona muito, mas acho muito importante tentar.

Essa sina de sempre colocar os outros na frente ao invés de nós mesmos ou o de achar que não somos merecedores de algo grande é algo tão normal que chega até a ser ridículo. Essa obsessão de achar que sempre precisamos estar mostrando o quão tudo é importante pra gente chega a ser algo assustador. Para os outros, não para a gente. Porque a gente, na verdade, só não quer ser mais invisível depois de ter sido “descoberto”. E, de uma forma ou outra, a gente acaba se sentindo tão grande, tão bem, que tudo o que queremos é abrir os braços na caçamba de uma caminhonete e sentir o momento atingindo o nosso rosto com uma trilha sonora perfeita para caracterizar tudo da melhor maneira possível.

Porque esse é o momento bom dentro de vários ruins que já foram enfrentados. Porque esse é o momento bom do agora e nós não sabemos se ele continuará assim amanhã. Nós não queremos ser invisíveis, nós só queremos ser infinitos.

Eu sei que serão apenas histórias algum dia e nossas imagens vão se tornar fotografias antigas. Todos nós vamos ser pai ou mãe de alguém, mas agora, esses momentos, não são histórias. Isso está acontecendo, eu estou aqui. E nesse momento, eu juro… Nós somos infinitos.

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