Protagonizando vidas alheias

Tem vezes que demoro tempo demais pra parar e pensar sobre o que devo fazer ou não com os meus dias. Às vezes eu só quero ficar na minha, às vezes eu preciso de outra pessoa. O problema está em conseguir encontrar uma companhia que me apoie e não me julgue pelas falas e pensamentos que tenho constantemente. Mas tudo bem, sem problemas, já me acostumei a isso. Percebi que em momentos assim eu acabo sendo a minha melhor e mais sincera companhia.

Dia desses resolvi sair e ver o que de bom rolava na noite curitibana. O fervo era o mesmo de sempre, clima de alegria e festa por todos os presentes. Caí em um bar no coração da cidade, havia uma festa bacana e que me interessava. Quanto a festas, sou meio seletiva – até demais -, mas essa eu não queria perder. Em partes porque gosto das músicas que iriam tocar, em outras porque eu precisava relembrar uma época importante e decisiva que aconteceu em minha vida.

Entrada feita, música rolando, cerveja na mão. Preciso me soltar, me divertir, ser eu mesma, pensava. Talvez eu não tenha conseguido esse resultado, mas cheguei muito próximo a ele. Pessoas no vai e vem, música atrás de música. Pensamentos rolando, sorrisos sendo arrancados por lembranças que ainda não se desvencilharam de mim. Era o passado no presente – e por mim estava tudo bem assim.

Vivenciei diversos momentos em uma única noite. Momentos esses que não vivencio quando estou em minha própria companhia. Foram momentos bons, acompanhados por sorrisos e olhares e beijos com gostinho de felicidade. Eu vivenciei ali vidas serem traçadas, atitudes sendo tomadas, alegrias sendo compartilhadas. Vivenciei sonhos serem realizados, beijos serem roubados, danças acontecendo de forma natural e amizades serem criadas ali naquele instante.

Vivenciei também planos serem arquitetados, jantares sendo preparados, a vida a dois compartilhada. Vivenciei risadas entre um grupo de amigos, um lanche despretensioso sendo compartilhado. Vivenciei pessoas felizes, pensativas, saudosistas; e todas com um único objetivo: serem elas mesmas. Ali, exatamente naquele lugar. Vivenciei pessoas vivendo o momento assim como eu estava. Não precisavam de mais nada, apenas continuar naquele lugar com o tempo parado, talvez, bastava. E eu vivenciei tudo isso com um sorriso nos lábios ao perceber que momentos como aqueles deveriam ser para sempre.

Sim, vivenciei todos esses momentos.
Eu só não protagonizei nenhum deles.

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