Hoje as minhas dores dançam às 3h da manhã 

É um misto de solidão com tristeza. Minha covardia afogando a minha coragem. Minhas derrotas se engrandecendo enquanto as vitórias se escondem, elas apenas observam.

Eu sei que não sou de todo mal. Sei que nunca desamparei os meus. Não por querer. Lembro dos cortes dela. Lembro das lágrimas dele. Lembro do hospital naquele dia em que eu não estive lá. Lembro de que não me lembrei de ligar. Já os decepcionei, já falhei, mas nunca foi intencional. Mas sabe de algo que eu nunca esqueço? É da dor que carrego comigo. Ela não vai embora. As vezes ela dorme, e eu fico falando baixo para não acordá-la. Sussurro minhas alegrias, vou até a varanda e grito os planos, filoso minhas teorias, abro um vinho, me reúno com os amigos, assisto a filmes. Mas logo ela acorda e me lembra de que não posso ser tão feliz assim, eu não sou tão bom pra isso.
Aí ela me faz recordar dos amigos que sorriram pra mim, me abraçaram e ainda com os braços ao meu entorno riram e fizeram piadas para quem passava na rua. Eu não era tão inteligente quanto eles. Lembro dos artistas que não me quiseram nos seus grupos, eu não sei cantar, nem escrever, o que eu fazia lá? Lembro dos baladeiros percebendo que eu não sei dançar. Ou dos doloridos, assim como eu, mas que me acham pseudo algo demais e por isso não me quiseram nas suas vidas.

Os meus erros e as minhas dores hoje cantam e dançam às três horas da manhã.

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