No meio da turbulência, há sempre uma sobrevivente

Tem essa garota que eu conheço. Ela é linda. Cheia de minhoca na cabeça, mas linda. Ela é perfeccionista, gosta que tudo esteja do seu jeito. Às vezes prefere fazer as coisas sozinha pra não ter que depender de ninguém. Ela tem vergonha de pedir algo a alguém. Além de ser orgulhosa, recusa todo tipo de ajuda que lhe oferecem. Ela tem medo de ser enganada mais uma vez, então fica naquelas de tá tudo bem. Eu sei que não tá, ela também sabe.

Ela é cheia de planos, pensa em viajar o mundo. Conhecer cidades, pessoas e talvez até um sentimento diferente. Ela sonha em ser amada, diz que quem tentou não conseguiu. Ela não transparece, mas fica triste com esses fatos. Ela diz que tá bem sozinha, que sabe se virar. Eu não duvido disso, mas dói demais ao perceber o seu semblante, tão irradiante, apagar cada vez que certo alguém lhe visita a mente. Ela é forte, eu não vou negar. Mas ela é também a pessoa mais frágil e sensível que eu conheço. Ela chora com comercial de margarina, com filme de cachorro, com música que fala de amor. Ela tenta se esconder, mas seu jeito puro de ser a impede.

Ela cria expectativas com as pessoas ao seu redor. Joga todas lá em cima, acredita que cada uma delas tem um quê de especial. Muitos do que considera como amigos moveriam mundos para vê-la sorrir. Porém muitos, também, fazem pouco caso de tudo aquilo que já passou. Ela se doa tanto, faz o impossível para que todos tenham o que sempre sonharam em ter. Ela não brinca com os sonhos de ninguém, pois sabe o quanto machuca quando alguém o faz. Ela não está preparada para por os pés no chão, não agora. Ela só pensa em voar.

Ela é dedicada, termina tudo o que um dia começou. Ela discorda, diz que não é bem assim. Mas eu sei que é. Sei também que quando larga algo é porque ainda não é o momento daquilo acontecer. Ela cria, pinta sua vida inteira. Tem esperança em alcançar tudo o que um dia almejou. Ela é esforçada, tenta entender ao máximo aquilo que lhe é exigido. Às vezes tem dificuldade de ponderar a importância das coisas, mas ela bate o pé e segue em frente.

Ela é inteligente, possui um interesse gigante em assuntos que eu sequer sabia da existência. Ela corre atrás do que quer, não deixa ninguém lhe dizer o que deve ou não fazer. Ela usa da sinceridade quando sente algo, ela não mente sobre aquilo que o coração a faz sentir. Ela sente muito quando vê alguém menosprezando o que de mais belo existe. Ela também tenta entender o porquê daquilo acontecer. Ela é guerreira, batalhadora, faz sempre o que precisa ser feito. Ela tenta não levar desaforo pra casa, mas nem sempre consegue. Ela às vezes chora escondido entre seu colchão e travesseiro. Ela se envergonha dos seus erros, diz que nenhum deles deveria ter acontecido.

Ela é mais comum do que imagina, mal sabe que há tantas outras como ela.
Ela se diz apenas mais uma, mal sabe ela que entre tantas, é única.

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Publicitária, especialista em Comunicação e Cultura e graduanda em Letras, Rafaela é criadora do blog "Amanhã Tanto Faz" e escreve não só por prazer, mas por necessidade também.

3 thoughts on “No meio da turbulência, há sempre uma sobrevivente

    1. Obrigada, Brunna! Posso dizer que o “ela” foi puramente inspirada em mim, hahaha. No fundo, somos todos que nem a personagem. Continue acompanhando o Regra! Um beijo. 🙂

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