A eterna busca pela felicidade

Somos sedentos por felicidade. Todo dia, toda hora, procuramos encontrar maneiras para aumentarmos ainda mais a nossa capacidade de ser feliz. Um livro novo aqui, uma televisão nova ali, tudo é motivo para esboçarmos um sorriso em prol da nossa própria satisfação. Porém, se parasse para pensar sobre o que é a felicidade, você saberia responder? Você conseguiria distinguir a verdadeira da pseudo razão da sua felicidade? Respondendo por mim mesma: talvez sim, talvez não, vai depender muito do meu estado de espírito.

Nessa última semana, participei de um bate-papo com o português David Machado, autor de “Índice Médio de Felicidade”, a sua mais recente publicação. Lá, dentre tantos assuntos abordados sobre o livro, ele comentou bastante sobre a felicidade e como ela é encarada nos dias atuais. Por ser alguém que sempre tenta ser o mais transparente possível em meus textos, me identifiquei com o tema e procurei prestar o máximo de atenção naquela fala. A atenção foi tão grande que acabou virando texto – esse que você está lendo agora.

Uma das muitas observações que Machado fez, enquanto dissertava sobre a sua vida e criação, foi a de que as pessoas não sabem mais quando estão felizes. E tudo isso por conta da intensa tecnologia que temos inserida em nossas vidas. Não estou aqui para demonizar nada e nem ninguém, mas por um lado, o que ele aponta é verdade. Não sabemos mais quando uma ação – ou uma atitude – poderá nos arrancar um sorriso. Pior: não sabemos desde quando um único clique e/ou toque é responsável pela felicidade momentânea que quase todos insistem em ter.

É preciso ter em mente que a felicidade, como qualquer outro sentimento, não pode ser comprada. Isso acontece porque ela não é um bem comercial ou uma mercadoria que basta você dar as costas para que perca o seu valor. A felicidade é algo bom, puro e que merece receber a sua devida atenção. Ela precisa ser sentida e experimentada antes de ser julgada. Ela precisa fazer com que as pessoas a entendam antes de acharem que aquilo que sentem é realmente felicidade – coisa que quase não é.

A felicidade é um eterno aprendizado, ou seja, dia após dia ela é pesquisada, analisada e entendida. Para ser feliz, basta a prática. Assim como ninguém é sempre feliz, ninguém também é sempre triste. A tristeza pode ser descartada quando não está entrelaçada com o digital. O mal dessa era digital é a de justamente camuflar a tristeza, transformando-a magicamente em felicidade. O mal das pessoas inseridas na era digital é o de estarem perdendo a capacidade de verem as coisas bonitas da vida. E olha que ela é bem cheia de beleza.

Você não é obrigado a estar feliz em 100% do seu dia, mas pare pra pensar quanta coisa bacana deixou passar por estar focado demais na sua tristeza contínua. A vida não é feita de marasmos, ela é feita também de um conjunto gigantesco de atos, gestos e palavras que pode nos ajudar a enxergar além daquilo que você considera como normal. Aliás, o normal não existe, foi algo inventado para tentar encaixar todo mundo em um determinado tipo de padrão. E quando você se ver em situações assim, lembre-se da famosa frase que sua mãe provavelmente lhe proferiu: você não é todo mundo.

Não esconda do mundo a sua felicidade. Se você se encontra em um momento feliz, comente e compartilhe isso com os que estão ao seu redor. Você vai ver que a felicidade é como uma grande corrente e que, quando emitida por alguém, alguém mais irá recebê-la e emaná-la.

A felicidade não foi feita para ser escondida; ela está constantemente dentro de cada um de nós e só é preciso explorar um pouquinho mais o lugar em que está guardada.

A felicidade não foi feita para ser buscada incessantemente dia após dia; ela foi feita, na verdade, para ser compartilhada.

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