O Natal que não conhecemos

pexels-photo-237898

Esse texto pode parecer meio ingrato, já aviso de antemão. Explico o porquê: há alguns anos não consigo me sentir feliz na época de fim de ano. Juro. Lembro de que há alguns anos, na véspera do Natal, me peguei chorando, aparentemente sem motivo. Foi apenas com o decorrer de alguns mais que pude entender que a angústia que sinto na suposta época mais feliz do ano é decorrente da empatia que desenvolvi com o tempo.

Ano passado, durante as férias coletivas da empresa onde trabalhava, pensei em várias coisas que rodeiam o mês de Dezembro. Se em algumas famílias é a alegria que predomina, em outras essa alegria é inversamente proporcional. Vivemos em um mundo dicotômico, onde poucos tem de mais, muitos de menos e o restante faz o que pode para sobreviver. Nem todo mundo espera a noite de Natal para se fartar na ceia da meia noite. E nem todo mundo tem esperanças de encontrar o velhinho Noel para receber o seu tão sonhado presente – mesmo que a pessoa em questão tenha se comportado muito bem durante o ano todo.

O ano de 2015 foi fundamental para o meu crescimento. E foi ao final desse mesmo ano que compreendi que eu não tenho a obrigação de me sentir feliz em uma data que muitas pessoas não se sentem assim. Eu não me sinto feliz ao imaginar que muita gente trabalha tanto pra não ganhar o suficiente nem para o pão, quem dirá para o chester. Não me sinto bem em saber que na minha infância eu tive de tudo – e quando digo tudo, é porque nunca me faltou nada – e que várias crianças por aí não tem sequer uma bola de meia pra brincar com os amigos da rua. Eu não me sinto feliz diante dessas situações e talvez isso aconteça porque não me sinto feliz com o mundo em que vivo.

Sei que muitos de vocês devem estar pensando que “é fácil falar tudo isso, mas você faz alguma coisa pra mudar?”. É normal esse tipo de pensamento, não os julgo, eu também já fui assim – às vezes até sou ainda. Não posso mudar tudo o que me deixa insatisfeita, mas posso mudar algumas atitudes próprias que, lá na frente, num futuro qualquer, irão repercutir de alguma forma. Eu não posso presentear todas as crianças carentes, mas eu posso ser o Papai Noel de uma delas através da campanha das cartinhas dos Correios. Eu não posso obrigar todas as pessoas a pensarem assim, mas eu posso escrever um conto retratando essa realidade para tentar abrir os olhos de algumas tantas.

Em um outro texto que escrevi aqui no Regra, indiquei duas obras (um filme e um livro) que trabalham o lado empático de qualquer um. Nesse, já que estamos falando de Natal e suas diversas ramificações sentimentais, indico mais duas: A pequena vendedora de fósforos, de Hans Christian Andersen, e Um conto de Natal, de Charles Dickens. Meu primeiro contato com o último foi através de um especial de Natal da Disney que assisti uns anos atrás na TV, mas eu recomendo fortemente a leitura do livro, primeiro porque ele é pequeno mesmo e você encontra baratinho se procurar bem, e segundo porque é uma história do Dickens.

Texto feito, explicações dadas e dicas sugeridas, é hora de eu sair de fininho e torcer para que isso tudo tenha o significado certo e real que tinha em mente.

Feliz Natal para vocês – seja ele da maneira que for.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s