“Eu não vejo nada da minha infância” – Cartas de crianças da Síria

transtorno

“Eu não vejo nada da minha infância. Minha casa foi destruída. Minha vida mudada completamente. Tenho medo sempre que escuto um som de explosão. Muitos são os sons; eu fiquei muito triste quando vi crianças morrendo. Eu espero que Deus faça voltar tudo como era antes e que Ele salve o nosso país”.

– Renan, 5º ano do ensino fundamental

A Síria vive em guerra há 5 anos. Guerra que causou a perda de mais de 400.000 vidas, destruiu 2.960 escolas; das 2,9 milhões de crianças matriculadas, hoje 2 milhões estão sem aulas. A Fundação Pontifícia ACN (Ajuda à Igreja que Sofre), o vice-presidente do parlamento europeu Antonio Tajani e o enviado especial para liberdade e religião da UE (União Europeia) Jan Fidel organizaram na semana passada uma videoconferência entre os políticos do parlamento europeu e crianças em idade escolar numa igreja católica em Alepo, Síria.

“Pai, eu tenho saudades suas mas você sempre estará no meu coração”.

– Shiva, 6º ano do ensino fundamental

O responsável pelo setor de projetos da ACN para o Oriente Médio, padre Andrej Halemba, quem concebeu a ideia do apelo após várias visitas à região, afirmou: “A videoconferência entre crianças sírias e políticos europeus resulta da campanha “Desenhos por Paz na Síria” em que a ACN junto às igrejas locais da Síria, que representam 95% dos cristãos no país, coletou mais de 1 milhão de desenhos e cartas de crianças entre 3 e 16 anos de todas as religiões de mais de 2000 escolas em Alepo, Homs, Tartus, Yabroud e Damasco. Essas mensagens e desenhos são um vibrante e inocente clamor por paz feito pelas crianças sírias ao ocidente”.

“Eu estou rezando, Senhor meu país está sofrendo
Frio, tristeza e escuridão, não há eletricidade ou velas.
Uma mãe está chamando em vão com sua voz
ao pai que saiu essa manhã e cuja volta é incerta
Por favor, Senhor, não nos abandone no sofrimento e fome
Senhor, mantenha suas mãos sobre nós, nosso país está sofrendo.
Crianças, como o amanhecer, estudem na escuridão;
estamos esperando por boas notícias cobertas de misericórdia,
esperando encontrar na vizinhança lindos sorrisos,
mas só se vê corações na escuridão, mais escura que o carvão.
Eles são batizados com o sangue e já não temos nem lágrimas.
Senhor, não abandone nosso país sofredor!”

– Shan, 12 anos

 

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