Mandume e o verdadeiro significado de representatividade

A canção Mandume, do rapper Emicida, é um banho de representatividade desde seu lançamento em 2015. Além dos versos cheios de referências e interpretados por grandes expoentes da luta pelas bandeiras sociais, a canção carrega o nome de um dos maiores símbolos da resistência do povo angolano, Mandume-ya-Ndemufayo. Aparentemente, a proposta da canção sempre foi cutucar os vespeiros da ignorância e do preconceito em todas as suas esferas.

Eis que, pouco após a estréia da Lab fantasma nas badaladas passarelas do São Paulo Fashion Week, Emicida lança um clipe onde, ao lado dos seus parceiros Drik Barbosa, Amiri, Rico Dalasam, Muzzike e Raphão Alaafin, interpretam Mandume enquanto imagens reforçam a bandeira do time.

O destaque da produção poderia ficar para o figurino assinado por Emicida e Fióti, ou a excelente iluminação e construção das cenas dirigidas por Gabi Jacob, mas é inevitável afirmar que a construção das histórias apresentadas no clipe roubaram a cena. Cada uma das interpretações reforça uma luta: a resposta ao machismo; a falta de representatividade negra na mídia; o preconceito de gênero; a discriminação religiosa… cada uma das bandeiras que são levantadas isoladamente em diversos grupos foram unidas e defendidas de maneira expressiva e emocionante.

Mandume deveria ser tomado como o exemplo que precisamos para os dias de hoje: união na luta pelo fim da ignorância e do preconceito.

“É mais do que fazer barulho e vir retomar o que é nosso por direito
Por eles continuávamos mudos, quem dirá fazendo história, ter livro feito?
Entenda que descendemos de África e temos como legado ressaltar a diáspora de um povo oprimido
Queremos mais do que reparação histórica, ver os nossos em evidência
E isso não é um pedido.
Chega de tanta didática a vida é muito vasta pra gastar nosso tempo ensinando o que já deviam ter aprendido.
Porque mais do que um Beat pesado é fazer ecoar em sua mente o legado de mandume.
E no que depender da minha geração parça, não mais passarão impunes.
Mel Duarte
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