Espera

A verdade é que ninguém se importa. Claro, vai ter gente sim que quer saber como você está, como passou, o que anda fazendo. E não é nada forçado, porque você sente isso. Mas, com aqueles tantos outros, aqueles que vem uma vez ao ano falar contigo, pedir alguma coisa, desejar felicidades mesmo que não as deseje, sabe como?, aqueles você distingue de longe o que querem, o que são. E tudo bem, né? A gente meio que se prepara pra esse tipo de coisa durante o ano todo.

Ninguém se lembra do que é preciso lembrar. E você não pode fazer nada com relação a isso, pois não faz parte da vida dessas pessoas. Não por falta de tentativa, até porque você tentou, mas acontece, elas simplesmente não estão nem aí, se preocupam mais em nutrir sentimentos por eles mesmos, vai que assim alguém também nutre, não é? A vida implora por isso, as pessoas clamam por atenção. Oi, eu estou aqui, você tá me vendo?, tá me escutando?, ei!

Quem dera se todos vivessem em uma grande harmonia, com palavras bonitas para serem ditas, atitudes grandiosas para aplicar ao mundo. Imagine all the people in the world living in love one each other. Ilusão, talvez, romantizar tanto as coisas assim, mas se ninguém fizer isso, quem é que faz? O mundo depende da gente pra sobreviver, o mundo precisa de gente como a gente pra voltar a ser o que um dia foi (será que foi?). Não sei mais o que nos espera, esperamos que com coisas boas, positivas, tu-do-nor-mal. Aliás, o que é o normal? Seguir o protocolo e entupir todo mundo com frases feitas, ditas da boca pra fora? Eu hein, cruz credo.

Prefiro observar de longe o que os outros fazem, sem pretensões, só observar mesmo. Ver se está tudo no lugar. Nunca está, mas também nunca se sabe. Prefiro esperar no meu lugar, persistir no que me convém, analisar se tudo aquilo terá um futuro ou não. Fazer valer a pena, a espera nunca é a toa, a grande questão está justamente em como esperar. Apenas sentado, esperando tudo passar, sem fazer nada, olhando os outros irem enquanto você fica, isso não adianta. Mas adianta falar, alguém me escuta? Alguém na linha? Alô?

As pessoas vivem em uma bolha de egocentrismo onde só entra quem possui a mesma característica. Os sorrisos não são sinceros, os abraços são mais rápidos do que deveriam ser, os desejos são ditos mais para eles mesmos do que pra outro alguém. A vida moderna chegou, não existe mais o parâmetro de um por todos, todos por um. É um por um, o resto que se vire. Que se lasque. Que se dane. O que você preferir, o que você conseguir ser. Quem é você diante de si mesmo?

As pessoas não se importam mais com o que deveriam se importar. Elas não se lembram mais com quem deveriam falar, se mostrar, questionar. As pessoas não veem mais coração, apenas cara. A beleza importa muito mais do que o sentimento, vide as inúmeras vezes de uma noite só. Inúmeras noites de uma vez só. Sem carinho, sem fala, só pegação. Dia-após-dia. E né, quem somos nós para criticar algo que para eles é comum. Eu sei que para mim não é, nunca foi, nunca vai ser. Mas não tem problema, continuo seguindo esse caminho meio perdido, meio sórdido, meio v a z i o.

Na espera de tentar entender o mundo, me dei conta que ainda nem me entendi. Talvez nunca entenda. Alguém me atenda?

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