Regra Entrevista | Sharks’ Teeth

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Sharks’s Teeth é uma banda de New Orleans composta por Tyler Scurlock, Devin Hildebrand, Shelby Grosz e Emily Hafner. Lançado em setembro deste ano, o álbum It Transfers & Grows é um mergulho cósmico.

Confira a entrevista que a banda deu para a Camila Ayouch, colunista do Regra dos Terços!

Regra dos Terços – O que cada um faz na banda?

Tyler Scurlock – Eu escrevo as bases e as letras para a maioria das canções. Eu canto nas músicas e nos shows ao vivo, onde eu toco basicamente o módulo DSI Mopho & Roland JP-08.

Emily Hafner – Eu faço um pouco de tudo. Eu toco baixo, lead line, ou faço algum um pouco de som ambiente dependendo da música. Eu e o Devin normalmente alternamos entre o Novation MiniNova e o Korg MS-2000.

Shelby Grosz – Eu normalmente faço a estrutura harmônica das músicas, como as progressões de acordes, com vários acentos em frases, usando a varredura do poly-synth da Yamaha SK-20.

Devin Hildebrand – Eu faço os elementos de percussão para os shows ao vivo e nos discos. Quando tocarmos ao vivo, eu uso o Korg MS2000b para qualquer coisa, desde arpejos a ondas, e o vocoder no Mininova.

RT – Como vocês se conheceram?

TS – Quando eu era calouro na Universidade de Loyola, fui designado para o dormitório ao lado do quarto do Devin. Eu o convenci/forcei a tocar um solo de guitarra, embora ele continuasse dizendo que era mais um baterista [do que um guitarrista] na música que eu estava gravando.

Eu conheci o Shelby através de um amigo mútuo na música, em um show em Lafayette. Depois de tocar em bandas periféricas por anos e ver o quanto Shelby poderia destruir no teclado, não tivemos escolha senão convidá-lo para participar.

Emily e eu nos conhecemos na faculdade também. Há alguns anos atrás, no fim da noite em uma Casa de Natal, nós ligamos os sintetizadores e Emily se juntou ao Shelby para liderar o coro bêbado através das canções de Natal mais espaçadas que eu já ouvi.

RT – Há quanto tempo vocês estão na estrada?

TS – O Sharks’ Teeth não faz tours frequentemente. Às vezes nós viajamos durante uma semana ou tocamos em alguns festivais regionais. O Shelby está em uma banda chamada Trampoline, que faz tours prolificamente, e a Emily vai se juntar a um belo projeto de Nova Orleans chamado Treadles, que fará sua primeira turnê em janeiro deste ano.

RT – De onde surgiu o nome da banda?

TS – Sharks’ Teeth vem de um poema homônimo de Kay Ryan.

RT – Como vocês descreveriam o tipo de música do Sharks’ Teeth para quem nunca ouviu?

TS – Minha descrição favorita, que eu ouvi recentemente, é “pop orgânico mutante”. Algo como um monte de almofadas etéreas, cordas e varreduras sobre batidas sedutoras de dança, cobertas por letras tristes. Embora tenhamos usado sintetizadores, módulos de sintetizador e drum machines exclusivamente para o nosso último álbum, as músicas seguem um formato pop familiar, apenas de muito longe.

Leia também – Sharks’ Teeth e o synthpop mutante.

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RT – Quais são suas referências musicais?

TS – John Maus, Oppenheimer Analysis, New Order, Yo La Tengo, Bjork.

SG – Devo, Human League, Kate Bush, Gary Numan, Angelo Badalamenti.
EH – Elliott Smith, Grouper, Cocteau Twins, Sufjan Stevens, Ryuichi Sakamoto.
DH – Tobacco, Black Moth Super Rainbow, Fennesz, Talking Heads.

RT – Como surgiu seu interesse pela música?

TS – Eu comecei a tocar música na escola primária e desde então foi a maneira mais divertida, fascinante e gratificante de passar o tempo.

EH – Eu comecei a tocar piano clássico quando eu tinha 5 anos de idade. Continuei com as aulas até a faculdade antes de ficar um pouco cansada dele. Ao longo do caminho, eu aprendi peças em outros gêneros por diversão e foi o que manteve a centelha viva. Eu ainda gosto de tocar música clássica de vez em quando, mas também gostei de me divertir nessas ramificações de um estilo tão restritivo de aprender e tocar música.

RT – Como é o processo de composição?

TS – Normalmente eu trago uma fundação de acordes, batidas e letras para o grupo. Devin vai então inventar algo com sua magia digital e que se transformará na nova base de percussão.

Todo mundo dá sugestões de como a canção poderia ser melhor ou como lidar com transições, e as novas partes vão sendo escritas em conjunto.

Por último, a Emily e o Shelby adicionam suas partes ao conteúdo, já que eles são os únicos que têm ideia do que está acontecendo. Então eles voltam e gravamos tudo juntos.

RT – Vocês parecem ser muito bem humorados. Em sua página oficial no Facebook, cada integrante tem um nome divertido. Vocês poderiam comentar isso, por favor?

TS – A reprodução mecânica de cada conta no Facebook, pessoal ou musical, é uma coisa estranha. Eu sinto que nas mídias sociais, algo criado para nos tornar mais homogêneos, você pode subverter isso com a arte e se divertir mais com elas. Enquanto, eventualmente e esperançosamente, de alguma forma, mostre a outras pessoas que elas também podem fazer o que quiserem.

RT – O que é “Christmas in Space” (“Natal no Espaço”)?

TS – Por volta de 2010, eu fiz um show num pequeno bar usando uma guitarra curvada, sobre alguns sintetizadores de ambiente, mas com o coro soando como loops de fita. O local tinha algumas luz de Natal espalhadas por todo o palco. Entre os sons e a decoração, a única maneira de descrever seria “Natal no espaço”. Desde então, essa atmosfera tem influenciado o tipo de acordes ou tons nós tocamos.

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RT – Vocês lançaram 16 álbuns nos últimos 7 anos, de diferentes tamanhos e até mesmo estilo. De onde vem tanta criatividade?

TS – A criatividade vem de estar próximo a tantas pessoas criativas fazendo tanta música incrível, como aqui em Nova Orleans. A quantidade tem mais a ver com a falta de filtro. Muito do que o Sharks’ Teeth lançou nos últimos 7 anos não tem qualquer padrão profissional ou foi analisado o que teria sido melhor fazer.

Eu tinha o equipamento para fazer a música e um lugar para colocar (BandCamp), então fazer o upload regularmente e manter a produção era fácil, ainda mais com projetos pequenos e não muito pensados.

Entre escrever, ensaiar, reescrever, gravar, divulgar e distribuir, It Transfers & Grows foi um projeto que nós trabalhamos por cerca de 2 anos. O resultado é algo mais polido, mas não teria sido possível sem todo esse tempo e colaboração.

Os anos em que o Sharks’ Teeth estava lançando um álbum ou EP por mês foi quando eu estava pulando basicamente todos os passos que fazem It Transfers & Grows o que ele é.

RT – O álbum It Transfers & Grows parece mais maduro artisticamente em relação aos outros. Como foi o processo de criação do disco?

TS – Isto se relaciona diretamente com a última pergunta sobre a prolificidade. A maioria do catálogo antigo foi gravado essencialmente por mim. Quando começamos a gravar It Transfers & Grows, o Sharks’ Teeth vinha se apresentando junto com os quatro integrantes. A cada ensaio ou show, cada membro foi desenvolvendo o que eventualmente acabaria sendo o disco.

A Emily e o Shelby são ambos talentosos e capazes nos sintetizadores. Quando chegou a hora de gravar, eles contribuíram com alguns dos momentos mais memoráveis do disco. Devin foi responsável pela gravação, mixagem e masterização do álbum inteiro e suas habilidades loucas são o que torna o registro tão coeso.

RT – Quais são as expectativas para este álbum?

TS – Quando estávamos trabalhando nisso, eu acho que minhas expectativas eram de que as pessoas compartilhassem a afinidade pela música física e que os equipamentos fossem atraídos para isso.

Agora que o disco já foi lançado faz algum tempo, eu estou surpreso. Nunca achei que fosse estar tão orgulhoso de algo em que eu trabalhei por tanto tempo.

Durante a maior parte da minha vida eu tenho me desapontado cronicamente com projetos, mas trabalhando no ITAG, colaborando com os novos membros para ensaiar para shows que ainda estamos tocando… Eu estou muito feliz de estar continuamente orgulhoso do trabalho que todos nós colocamos neste disco e que realmente foi além das minhas expectativas.

RT – Vocês já vieram ao Brasil?

TS – Nós nunca estivemos no Brasil, mas ADORARÍAMOS ir.

RT – Indique algo para os nossos leitores.

TS – O livro do Walker Percy,”Lost in the Cosmos”,  foi uma grande influência na criação de It Transfers & Grows; e também é muito engraçado.

EH: Se você estiver procurando por alguma arte inspiradora, dê uma olhada em Yuko Shimizu (não o da Hello Kitty; o outro)! Ela é uma ilustradora japonesa baseada em Nova York, e todo seu trabalho é imaginativo e bonito. Ela faz trabalha muito com tinta e escova, e sua arte combina influências tradicionais e modernas sem problemas.

Curtiu a entrevista do Sharks’ Teeth? Clique aqui para ouvir o som deles.

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