O mundo precisa de mais olhos suplicantes

"Não é fácil ter que encarar a felicidade dos outros e tomá-la como nossa quando a nossa sequer existe."
“Não é fácil ter que encarar a felicidade dos outros e tomá-la como nossa quando a nossa sequer existe.”

Tenho olhos suplicantes nesse exato momento. Ainda não sei o que acabou de acontecer, mas peço mentalmente para que tenha sido uma coisa boa – e, lá no fundo, para que ninguém tenha percebido o meu desespero interior. Às vezes é difícil admitir para nós mesmos que realmente nos sentimos deslocados, sedentos por atenção. Mas ela nunca chega e a gente vai ficando cada vez mais desesperado – acredito que uma hora dessas toda essa súplica e desespero e medo (por que não?) sairão em forma de palavras não tão agradáveis aos ouvidos de outrém.

Peço desculpas, iclusive, pelo que eventualmente já disse ou que um dia ainda direi. É que não é fácil, sabe? Não é fácil ter que encarar a felicidade dos outros e tomá-la como nossa quando a nossa sequer existe. É injusto, eu sei, mas é isso o que acontece quando estou em momentos de eterna súplica assim. Eu deveria me abster, permanecer em eterna vigilância talvez, mas de que me adiantaria não ter aquilo que os outros já tem quando eu ainda nem sei o caminho para encontrar o meu próprio eu?

Me retenho a palavras, olhares e paixões. Quem sabe assim eu não encontre uma verdadeira razão de ser, certo? Eu já tentei de tudo, confesso, mas parece que quanto mais eu tento, mais perto de atingir o meu verdadeiro eu estou. Se é verdade ou não tudo o que me rodeia até hoje já não sei dizer. Sei que a sensação não é de todo ruim, a vida às vezes me reserva umas boas no meio de tantas poucas. É preciso saber aproveitar, não é? Ao menos era isso que dizia minha avó.

São em momentos assim que consigo entender o quão somos pequenos diantes do universo. Na verdade, nós não somos quase nada comparados a ele, quiçá nunca seremos também. Mas nós tentamos. A tentativa é bem maior e muito melhor do que qualquer erro, seja ele qual for ou com quem foi. Se não existissem os erros, de nada valeria o caminhar que traçamos até aqui. Até mesmo o meu, que continua perdido (ou inexistente) por aí.

Não sei bem o porquê de tais palavras, talvez seja porque meus olhos suplicantes precisassem da calmaria do colo de alguém. Eles precisavam apenas de um acalento, um lugar para repousar. Nada nesse mundo é mais gratificante do que ter alguém disposto a não só te ajudar, mas também a te ouvir. O mundo precisa de mais gente assim. Talvez precise também de mais olhos suplicantes. Assim, desse jeitinho aí que os seus ficaram.

Aliás, perdão. Não era a minha intenção deixá-los dessa maneira tão intensa quanto estão os meus, mas entenda que isso é bom e fundamental para que, de olhos suplicantes, todo esse desespero por atenção transforme-se em carinho no meio da multidão.

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One comment

  1. […] mas em forma de marcas que já não são mais visíveis aos olhos alheios. Eu não preciso que alguém olhe em meus olhos e veja o quanto eles estão suplicantes, porém ainda peço para que esse mesmo alguém consiga entender tudo o que esses meus olhos já […]

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