Uma estrela cadente, para um coração vazio

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Eu nunca vi uma estrela cadente. Quando eu assumo isso, as pessoas olham com aquele ar de “você só pode estar brincando…”, e isso me frustra de uma maneira que pode até parecer meio boba, mas sempre foi algo importante. Tão importante, que entrou na minha lista de coisas para fazer antes de morrer. Minha avó outro dia disse que se eu ficasse lá fora por um tempo veria algumas. Foram os 45 minutos mais frustrantes dos últimos tempos, voltei para dentro de casa com ares de criança que não conseguiu realizar um sonho. Depois, minha avó me perguntou: “O que você pediria se visse uma?” Não tive uma resposta imediata e nem conclusiva. Não sabia o que pedir ou como resumir tudo o que eu queria. Essa pergunta ficou (e ainda está) rodando minha cabeça por muito tempo.

Adotei isso como um sinal para a vida, principalmente depois de um amigo dizer que quando eu a ver, saberei o que pedir. Eu não sei como determinadas coisas acontecem, mas sei que talvez eu nunca tenha visto uma porque não tenho o costume de ficar olhando muito para o céu- assim como meu amigo- e isso seja uma sinal de que eu deveria rever meus hábitos. Talvez, numa teoria de conspiração do destino, esse pessoal que diz ver estrelas cadentes com frequência, estão usando os pedidos que eu poderia estar fazendo. Pode ser também, que num azar do destino, eu estivesse desperdiçando meu olhar em outros lugares, enquanto a chance de criar essa pequena euforia de acreditar nos astros, ia cruzando o céu silenciosamente e eu não vi. Não sei. O que eu sei, é que nesses últimos tempos eu tenho repetido a mesma oração e o mesmo desejo diariamente, mas se visse uma estrela cadente agora, não faço ideia do que pedir. Eu venho buscando e construindo e superando, entende? Tem dias que eu não consigo abrir os olhos e só quero fechá-los até que tudo fique silencioso e etéreo. Tem dias que eu sequer consigo erguer a cabeça diante da humanidade. Uma estrela cadente agora cairia bem- desculpa o trocadilho. Um sinal do universo, avisando que não é de todo errado esse vazio e essa sensação confusa de não saber ao certo os caminhos a serem seguidos, isso me confortaria por um tempo. A gente vai colocando sorriso no rosto todas as manhãs e lutando contra a vontade compulsiva de chutar um balde qualquer, enfiar o pé em uma porta por aí, gritar, enlouquecer e não olha para o céu. Nem mesmo cinco minutos. Não planeja os pedidos e fica por aí, vagando e olhando para os pés.

Eu me esvaziei de uma maneira tão completa, tão inteira e me entreguei com tanta dedicação em tantos momentos desgastantes, que se me pedirem um pedaço de mim, não sentiria sequer dor ao me arrancarem o braço. Eu não consigo mais doer, entende? Eu não tenho forças para sangrar ou pedir ajuda, porque até essas capacidades eu sinto que já perdi. E assim, levo os dias e a estrela não cai, eu não abro o coração por completo e quando abro- ao menos um pouco- meu discurso parece um disco repetido, uma música fora de moda. Mais uma dose, mais uma rodada, mais uma noite, mais uma prece. Alguém aí fora, por favor, pode me esticar a mão? Sem perguntar nada, por favor. Pode, me olhar nos olhos e me dar cinco minutos de redenção, por sentir demais, pelos meus erros de grafia, pela minha incapacidade de passar ilesa pela vida e pela minha boa memória que me arrebenta os ossos? É que eu cansei de me explicar, justificar a perna que balança distraída e a mania de contar passos no meio da rua. Porque cada dia que passa, eu preciso lutar contra a única pessoa que pode me ferir de verdade: Eu. E isso é mais pesado do que se imagina.

Sendo assim, perdoe minha maior frustração de hoje ser algo tão simples. Eu só queria ver uma estrela cadente antes de morrer. Na lista que eu fiz tem outros itens mais simples ainda, você iria rir ao ler. Mas sabe, talvez seja isso que me componha: tudo que for simples. Por enquanto, só o que eu sei, é que não ver uma estrela cadente talvez seja um sinal do universo, me dizendo que eu deveria começar a erguer a cabeça perante a vida, me perdoar profundamente e ter coragem mais vezes de encarar de frente o céu, a mim e minhas lutas. Talvez seja hora de abrir os olhos, aceitar os meus vazios e lembrar que as estrelas estarão sempre lá para serem vistas. Quem sabe até chegar esse dia, a necessidade de fazer o tal pedido já tenha se tornado um motivo de gratidão.

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