Amar você, foi meu melhor remédio

amor-remedio

Amar você é um ato de amor próprio comigo. É um carinho que eu me faço, diariamente. Amar você, é querer me alimentar melhor, me exercitar e estar sempre bem. Ler bons livros, colecionar bons filmes, limpar a casa e organizar a bancada do meu banheiro. No meu ápice de tudo, dentro do possível, eu tento ficar mais silenciosa para conseguir ouvir a sua respiração em algum lugar no mundo. É ter vontade de conquistar coisas grandes, porque eu sei que cada vitória te rende um sorriso. Amar você, é descansar a mente, poder praticar a autenticidade, é conseguir verbalizar verdades que muitas vezes nem eu gostaria de ouvir. É papo de política, crise existencial, vazios humanos, sexo, futebol e comida. É bossa nova, música que ninguém ouve, é teatro, cinema e literatura. É piada de mal gosto e assunto de botequim, cerveja gelada e suor na nuca. É conseguir ser inteiramente, essencialmente e verdadeiramente eu, mas poder dividir isso com você. Amar você é uma caridade com meu ego, este, que não esteve bom das pernas por muito tempo. Um modo de me permitir ter algo bom, sem culpa. Um modo de viver algo saudável, sem reservas. É cuidar de mim para poder cuidar de você, permitir que teu carinho me sirva de casa e colo e me alimente boas energias. É deixar que a paz fique aqui, pouse ali e volte no teu olho de outono.

Quando te amo, quero saber da sua história. Das suas histórias, todas elas. Cada uma. Eu ficaria dias perguntando sobre cada cicatriz, exposta ou não e ouviria sobre suas origens, anos a fio. Mas amar você também é entender que existe tempo e espaço para certas aberturas, é aceitar que cada história virá, sem pressa e sem medo. Sendo assim, eu estarei aqui quando esse momento lhe for confortável- tem café e vinho, o que vai ser? Amar você é amadurecer sem violência, ter respostas para perguntas antigas. É ver claramente que a fase de loucuras e ansiedades está passando- somos jovens, afinal. É valorizar o toque, os beijos, entender a profundidade real das coisas. É não precisar vulgarizar meus atos para ser admirada. Sabe, todas as mulheres no mundo deveriam ser tratadas da maneira como você vem me ensinando a receber certas delicadezas, diga-se de passagem. Todas nós deveríamos ser vistas de maneira íntegra, plenas em nossas escolhas, aceitas em nossas limitações e apoiadas dessa maneira. Então, amar você também se tornou um manifesto de valorização. Auto proteção e cuidado. É entender, que certas negativas nos fortalecem, nos mostram o tamanho do respeito do outro por nós e nos coloca no lugar. Um lugar melhor.

Te amar não tem aquele barulho todo, não é aquela loucura infinita que a gente acredita ser o amor de verdade quando se tem 17 ou 20 anos. Não. Amar você é tranquilo, rio calmo que se encontra com o mar e deixa tudo infinito, abriga segredos e belezas que os olhares curiosos não poderão ver, porque isso é nosso. Apenas nosso. Amar você, é lembrar de valores que eu me achei indigna por muito tempo, é me sentir mais pura diante a vida, é voltar para casa grata por tanta sabedoria, por tanta inteligência em agir. É entender a força e a falta que determinadas sintonias fazem ao mundo. É desligar o celular, não responder emails, não sentir falta da televisão ligada. É deixar de falar de dor, para falar de ganhos. É entender que eu pouco perdi, perto do que venho conquistando. É acreditar que as horas poderão passar mais rápido se eu me apegar nos benefícios que você me gera. Faz bem pra cabeça, pro corpo e pra alma. É ouvir a vida contar seus segredos, só para poder partilhá-los com você. É doce, mas é salgado. É imperfeito, mas é sensato. Tem seus dias penosos, tem seus momentos de elucubrações, meus platonismos evidentes, aristotelismos sutis das duas partes. Amar você é ter gente no banco do passageiro, é sentir teu toque suave enquanto eu busco um caminho melhor na cidade. Tem um tanto de você e um pouco de mim nesse tal amor. No final do dia, desses dias onde os calmantes fazem sua parte de me conter dentro dos pulmões, quando a temperatura não está nada amena, quando a minha ansiedade me pega no meio de uma segunda-feira de verão que sucedeu uma noite mal dormida, interrompendo o expediente e dando vontade de sentar na calçada e perder as horas, ainda há tempo para o amor. Até porque, são nesses momentos que eu tenho certeza: Amar você, foi a melhor coisa que eu poderia ter feito por mim.

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