Aventura em cima do muro: Explosão de verdades cordiais (Novembro 2016)

Texto enviado por Asaph Eleutério

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Viver uma vida em cima do muro

O presente momento político brasileiro pede atenção. Urra do lado de fora de portões fechados por estudantes secundaristas, mobiliza-se à favor da eleição de Donald Trump em plena Av. Paulista. Os brasileiros outrora cordiais, sangue-bão, e concordantes transmutaram-se – sob a lua cheia do estelionato da riqueza do país por meio das copas e olimpíadas em enormes lobisomens sangue-ruim-discordantes. Monoliticamente discordantes.

As “verdades” que cobrem seus urros são subprodutos das visões de mundo que o mundo lhes fornece. Como diziam os gregos “doxas”, opiniões, mas, no presente momento político brasileiro, se tornaram “dogmas” altamente questionáveis e inflamáveis, na minha opinião (que com absoluta certeza está errada, para alguma outra). Qualquer posição poderá ser usada contra você no tribunal dos lobisomens sangue-ruim-discordantes.

Eu me via escondido atrás da minha parati 2005, com meus amigos empalidecidos e frente (ou de costas) a um encurralamento acidental ocorrido no estacionamento da escola estadual em que fomos nos apresentar em apoio às ocupações secundaristas. Desocupadores contra outra ocupadores, divididos por uma grade, que bloqueava meu carro da um portal para bem longe de uma zona de conflito.

Leia: Um dos momentos mais tristes da vida

Eu, atrás da minha parati 2005, dizia comigo: eu não ligo. Ora, estar em cima do muro em tal troca de tiros de discordâncias e adrenalinas à flor das peles era o mesmo que tomar um terceiro partido. Eu, dirigindo da minha parati 2005, saindo entre um misto de medo e reprovação, no meio de uma situação política explosiva não estava dando a mínima. Lembro, sou bem sincero quando escrevo, então, é isso aí mesmo. Estava preocupado com a minha mãe, que estava em casa, com dores de barriga.

Nossa saída foi quase um momento de colapso da ocupação, que estava sendo atacada por desocupadores insatisfeitos com direitos a gritos de palavras de ordem de caráter ofensivo e monitorada por policiais militares à paisana (que eu vi, estavam lá, a meia quadra e meio que rindo da situação da saída da parati 2005, tripulada por três gasparzinhos, com as janelas abertas e ouvindo um som alto pra fingir que estavam “tranquilebas”).

A única coisa em que refleti, quando o sague voltou a circular devidamente no cérebro foi: como será que estar neutro em uma circunstância se tornou tão ruim assim, no presente momento político brasileiro?

Leia: É verdade que estar só é duro?

Me sinto na margem de ambos os lados – onde sempre estive – e, desculpem, mas a minha posição política é em cima do muro. E aconselho a todos a me acompanharem, neste incrível mundo, onde conversamos ao invés de urrar e digladiar contra grades. Pouco se tira de proveito de ações como esta, além de jocosas aventuras.


Gostaria de ver sua crônica publicada no Regra dos Terços? Então faça como o Asaph, encaminhe um e-mail para regradostercos@gmail.com e boa sorte!

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