Série Mulheres Árabes | # 3 Najlae Lachqar

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Najlae Lachqar. (Foto: USAID – United Stated Agency International Development)

* Este artigo é uma tradução livre da publicação feita por United States Agency International Development. Para acessar a publicação original, em inglês, clique aqui

“Najlae Lachqar tem um sorriso contagiante, estando ela coberta ou não de graxa. A aspirante à mecânica de 23 anos de idade vive no bairro Tanjawa, na cidade de Tetouan, no norte do conservador Marrocos, com sua mãe, pai e 6 de seus 11 irmãos.

Em Tetouan, situada na costa norte de Marrocos, aldeias pintadas de branco e colinas verdes [formam] o pano de fundo das montanhas que deslizam até o Mar Mediterrâneo.

Mas para muitas famílias, dificuldades reais se escondem sob a beleza. O alto [nível de] desemprego assola a juventude marroquina, e a incerteza do mercado de trabalho está levando muitos jovens adultos a migrar para a Europa e outros lugares em busca de melhores oportunidades.

Três irmãos de Najlae estão vivendo na Espanha, devido à dificuldade em encontrar um trabalho em seu país natal.

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Najlae Lachqar. (Foto: USAID – United Stated Agency International Development)

Em Marrocos – e especialmente aqui no norte, em Tetouan, os trabalhos que as mulheres tendem a fazer são de cabeleireiro, culinária, pastelaria …” explica Najlae.

Desde que era uma menina, Najlae é fascinada por carros e motos. Ela amava desmontar peças de carro e colocá-las de volta juntas. Embora a mecânica sempre tenha sido sua paixão, Najlae pensou que era um nicho reservado para os meninos.

Ela compartilha a paixão com a sua irmã Rajae, que é apenas um ano mais nova. “Nós somos muito próximas”, diz Rajae. “E nós fazemos quase tudo juntas.”

As irmãs estudavam enfermagem quando descobriram sobre um projeto apoiado pela USAID – United States Agency International Development, que promovia treinamento a jovens com habilidades valiosas a fim de ajudá-los a entrar no mercado de trabalho.

Najlae (à esquerda) e Rajae (à direita).
Najlae (à esquerda) e Rajae (à direita).

Após ouvir que mecânica era um dos programas oferecidos, elas agarraram a oportunidade. Pela primeira vez em suas vidas, o sonho de se tornar mecânica de automóveis não parecia tão impossível.

O programa de dois anos consiste em estudo em sala de aula e um estágio. Os alunos aprendem teoria mecânica e, em seguida, aplicam na formação prática durante a semana. A mecânica não é considerada um “trabalho de mulher” no norte de Marrocos. Najlae e Rajae são as únicas mulheres no programa em que estão participando, mas elas se recusam a recuar.

Eu quero trabalhar como mecânica, a fim de mostrar à sociedade marroquina… que há meninas e mulheres que podem trabalhar em qualquer campo – na mecânica ou  em qualquer outra coisa, diz Najlae.

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Najlae e Rajae Lachqar. (Foto: USAID – United Stated Agency International Development)

Najlae e Rajae frequentemente experimentam o julgamento de seus amigos e vizinhos por escolherem trabalhar em um campo dominado por homens. Elas também compartilham preocupações comuns sobre a falta de segurança no emprego e dificuldades financeiras. Diz Najlae: “Quando você vai às empresas procurando por um emprego, eles dizem: ‘eu ligo mais tarde’, mas eles não ligam”.

Em tempos de dificuldade, ter uma irmã ajuda. “Compartilhar a mesma área [de trabalho] com a minha irmã é encorajador”, diz Najlae. “Nós podemos motivar uma a outra… Quando ela está desmotivada, eu tento impulsionar sua moral.”

Najlae e Rajae são mais do que colegas de classe, colegas de trabalho e parentes: elas são melhores amigas. “[Uma irmã] a elogia e a encoraja. É muito importante para mim ter uma irmã “, diz Rajae. “Ela pode ser sua alma gêmea”.

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Najlae e Rajae Lachqar. (Foto: USAID – United Stated Agency International Development)

Najlae e Rajae têm sonhos de abrir sua própria oficina um dia, chamando-a de “Princess Auto”. Elas gostariam que a oficina tivesse um design feminino e convidativo, que oferecesse serviços para atender mulheres motoristas.

O objetivo das irmãs é fazer com que as mulheres se sintam confortáveis levando os seus carros a uma loja, sem ter que pedir a ajuda de um parente masculino. Elas também querem ensinar as mulheres a fazer reparos simples, como trocar um pneu.”

Eu mal posso descrever minha felicidade. Eu alcancei algo que pensei ser impossível. (Najlae Lachqar)


Este artigo faz parte da Série Mulheres Árabes, publicações diárias durante o mês de março, com o intuito de contribuir com a visibilidade das diferentes narrativas protagonizadas por mulheres árabes. O projeto é de autoria de Camila Ayouch, colunista do Regra dos Terços e estudante de Letras Português-Árabe na Universidade de São Paulo (USP).

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