Deveríamos ser a sociedade do ser, e não do parecer

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“As pessoas deveriam muito mais praticar o ser ao invés do parecer (…)”

Em todos os dias, por todos os lados, a única coisa que se vê são pessoas preocupadas com suas roupas, suas caras, seus batons e demais outros tipos de pronomes possessivos relacionados a elas mesmas. Fico preocupada quando, sem querer, vejo alguém tirando a famosa selfie apenas para postar em suas redes sociais comprovando de que está em tal lugar. E aí me vem à mente: comprovar pra que? Comprovar pra quem? As pessoas deveriam muito mais praticar o ser ao invés do parecer, mas não creio que isso vá acontecer tão rápido assim.

Por anos acompanho o andar da vida, não só da minha, mas de todos aqueles que estão ao meu redor. O Facebook tá aí pra isso, né? Pra expor aquilo que nós queremos que os outros vejam. E só analisando o que eu posto comparado ao que os outros postam, é inacreditável a diferença que há. Enquanto posto palavras – que, na minha concepção, servem para melhorar não só o emocional de alguém, mas também a sua alma -, os outros postam fotos do bar, da festa, fazem check-in, debocham de quem não se envolve naquilo que acham o certo, esse tipo de coisa. Que triste. É realmente muito triste ver que a imagem que as pessoas querem passar são todas forjadas, photoshopadas, criadas. Não existe mais expor o que há por dentro, não existe mais o se despir de corpo e alma.

Em dias que eram para ser comuns, iguais a todos os outros, independente de serem datas festivas ou não, a alegria deveria reinar ainda assim. A sinceridade deveria se fazer presente, mostrando a quem estivesse ao seu redor que ela vale a pena, que está ali para ser usada. As pessoas deveriam ser mais sinceras umas com as outras. Elas deveriam, inclusive, se abrir umas às outras, dizendo o que fazem, quais seus medos, seus maiores desejos. Todo mundo tem algo para contar a alguém. Coisas boas, coisas não tão boas assim, coisas felizes. A felicidade está em falta – e como eu sinto a sua falta… Sinto tanto que sinto que estou cometendo algum tipo de erro gravíssimo quando compartilho momentos felizes com os outros. Ninguém quer saber das suas conquistas, eles não conseguiram as deles ainda. A grande questão é: não conseguiram porque não foram ou porque pareceram?

A importância do ser se faz ainda maior quando estamos diante de situações assim. Fico imaginando o quanto deixamos de ganhar no ser simplesmente por querer parecer. Parecer feliz, parecer certo, parecer apaixonado. A autossabotagem é tão grande que se torna quase proporcional à minha aversão a tudo isso. Pra que parecer feliz quando você simplesmente pode ser feliz? Pra que fingir se apaixonar, enganar parte dos sentimentos de outra pessoa, quando vocês poderiam estar juntos e inteiramente apaixonados? Às vezes o que falta no pessoal do parecer é uma pessoa do ser. Uma pessoa que mostre que todas as aparências de nada valem se no interior deles nada se sente. O sentir é essencial para todo mundo. Até para aqueles que acreditam que jamais serão – quando, na realidade, já são.

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4 comments

  1. Saudações,

    Estimo que se encontre bem, importante artigo, a que tirar lições para contrariar o cenário triste e de quebra de valores morais, o mundo actual está a passar o seu pior momento, a falta total de respeito a vida… Cada gesto positivo pode influenciar mudança. Obrigado

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