Série Mulheres Árabes | # 8 Rama Chakaki

Rama Chakaki.

Rama Chakaki é uma empresária síria, fundadora – entre outros empreendimentos – do BarakaBits, um site focado em notícias boas do Oriente Médio.

Ela transitou entre diversos países e continentes durante a infância. Na década de 70, mudou-se com os pais da Síria para a Arábia Saudita, onde as oportunidades eram abundantes para o pai engenheiro.

Estudou em uma escola particular para meninas, na parte oriental da província, fundada pelas filhas do falecido rei Faisal e alguns de seus primos. Fora de seu círculo escolar, ela foi cercada por amigas de sua mãe, algumas das quais estavam entre as primeiras mulheres a fim de criar e gerenciar lojas lá. Em casa, seu pai a encorajou, incentivando suas filhas e filhos igualmente.

Aos 20 anos de idade, Chakaki foi diagnosticada com sarcoidose, uma doença autoimune que cria tecido cicatricial em torno de órgãos vitais; no caso dela, o coração.

Quando algo assim acontece na sua vida, dá-lhe a oportunidade de refletir e, em seguida, pensar sobre o que você quer da sua vida. Eu tinha que pensar em ciclos curtos: “ok, se eu tivesse esse tanto de tempo, o que eu estaria fazendo?” Imediatamente todo o desperdício de tempo foi eliminado da minha vida.

Rama Chakaki.

Apesar do forte sentimento de pertencimento na Arábia Saudita, a família de Chakaki permaneceria expatriada, já que a cidadania só é concedida aos sauditas nativos. Interessado em viver em um lugar onde eles poderiam possuir as mesmas condições que os nativos, o pai levou a família para os Estados Unidos.

Decepcionada, Chakaki ingressou na George Washington University. Ela passou de uma escola totalmente árabe, com uma única disciplina em inglês, para um currículo totalmente baseado nesta língua. Ela desistiu dos planos de cursar Medicina, porque acreditou que a transição da língua seria muito difícil; foi para a Engenharia.

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Depois de se graduar, Chakaki trabalhou nas indústrias de desenvolvimento de software e de telecomunicações. Seus ambientes de sala de aula e de trabalho sempre foram predominantemente masculinos, mas ela afirma que nunca considerou o fato de ser mulher como uma barreira.

Quase duas décadas depois, aquele senso de urgência e uma forte crença em prosseguir trabalhando naquilo que ama, levou-a a um papel de liderança na mundo empresarial árabe. Seu objetivo é nutrir as empresas sociais inovadoras através da Baraka Ventures.

Para ela, isso representa um afastamento dos modelos tradicionais de caridade e ONGs. No lugar de cartazes sombrios com uma “criança muito triste”, ela diz que há uma oportunidade de mudar a abordagem na região em algo mais positivo e edificante com maior impacto social.


Este artigo faz parte da Série Mulheres Árabes, publicações diárias durante o mês de março, com o intuito de contribuir com a visibilidade das diferentes narrativas protagonizadas por mulheres árabes. O projeto é de autoria de Camila Ayouch, colunista do Regra dos Terços e estudante de Letras Português-Árabe na Universidade de São Paulo (USP).

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