Homem aflito

homem e mar
A aflição vem sempre que fico estagnado

Como pode um peixe vivo viver fora da água fria? Pergunta a famosa canção. Como pode um homem aflito viver o mesmo todo dia? Parafraseio. A aflição me move, me sustenta. Ela é o meu tabaco e minha cachaça. Ela é o meu deus, minha bússola mór.

Basta sentir o seu cheiro se aproximando e começo a me remoer por dentro. A tristeza vem vindo aos poucos, dia após dia. É como uma pessoa que vai surgindo na forte neblina, você percebe que vem algo, mas só tem certeza quando está perto demais. Assim a aflição vem. Um dia me pego refletindo sobre a letra daquela música. No outro sobre a brincadeira daquele colega. Depois sobre o problema da humanidade naquela matéria na TV. Aí me pego lendo e relendo livros que não se sabe se foram escritos ou chorados. Músicas que são a materialização da tristeza abstrata do compositor tocam em looping no meu fone de ouvido. A solidão, o silêncio, a tristeza, a aflição e finalmente o eu.

Percebo assim que já deu de ficar estagnado. Já parei o suficiente. Devo voltar a caminhar. Algo tem que fazer sentido. Alguém tem que ter importância. A diferença precisa ser feita. O mundo carece de pessoas que joguem fora seus medos e vivam aquilo que acreditam de fato. A aflição me abraça, beija meu pescoço e me seduz. Ela me mostra o seu sorriso, enquanto nos seus olhos refletem o caminho que eu deixei de seguir.

Chega de estar parado. Chega dos mesmos textos. Chega dos mesmos projetos. Chega do mesmo trabalho. É hora de andar novamente. De resto, agradeço a aflição e dou um até logo pois todos tendenciamos a estagnar no confortável, ainda bem que eu percebo a sua presença.

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