A gente sabe quando alguém não quer mais saber da gente

“A gente sabe que nada mais é da forma que a gente gostaria porque ao invés de um corpo deitado ao seu lado, a cama se encontra vazia. A gente sabe.”

É simples, a gente sabe. Não precisa de muito pra decifrar, a gente percebe no dia a dia, no tato, no olhar. Enquanto a gente só quer proximidade, o outro quer distância; enquanto a gente quer beijo, o outro quer só um abraço – mas não daqueles de tirar o fôlego por conta do aperto gostoso, mas sim aqueles mixurucas, meio que dados por obrigação. É isso, a gente sabe quando alguém não quer mais saber da gente. E quando a gente percebe, a gente se dói. Dói tanto que a gente não sabe mais pra onde jogar essa dor se não na gente mesmo.

Ninguém quer ser deixado de lado, mas a gente percebe quando isso acontece. Tá estampado nas atitudes, nos gestos. Aqueles carinhos dados sem pretensão alguma cessaram, os dedos entrelaçados já não existem há algum tempo. A gente percebe quando o outro deixa de ter interesse. Percebe porque não é mais com você que ele sai, os segredos que antes não eram contados a ninguém pararam de ser direcionados a você. A gente percebe no sorriso sem graça, no beijo sem paixão. A gente se dá conta que nada mais é como era antes quando o outro manda mensagem bêbado, dizendo que tá com saudade. A gente não devia acreditar nessas mensagens aleatórias que vêm no meio da madrugada, mas a gente acredita porque vai que mudou. Mas nunca muda.

A gente sabe quando alguém não quer mais saber da gente porque a conversa do whatsapp vai do topo lá para o fim. Sabe também porque pra ter a pessoa um pouco mais perto tem que ser pelas mensagens antigas, de meses atrás. A gente sabe que tudo acabou quando se pega chorando ou pensando onde tudo deu errado. A gente sabe que nada mais é da forma que a gente gostaria porque ao invés de um corpo deitado ao seu lado, a cama se encontra vazia. A gente sabe.

A gente simplesmente sabe quando é hora de deixar pra lá, não perguntar mais, tocar a vida em frente. A gente sabe que é difícil viver assim, mas a gente também sabe que isso é o melhor a se fazer. A gente aprende a levantar depois de alguma queda, e a gente sabe que a cada tropeço é um novo olhar sobre a vida. A gente sabe que a vida nem sempre vai ser como a gente quer. Ela nunca é. Mas a gente sabe também que há males que vêm para o bem, mesmo o mal sendo o pior de todas as coisas já existentes. Algumas coisas acontecem, e a gente sabe que nunca são em vão. A vida não é em vão, nem as pessoas que por ela passam. A gente sabe de tudo isso. Sabe tanto que a gente sabe inclusive das pessoas que não estão mais nem aí pra gente. E aí a gente finge que também não está – o que é uma bela duma mentira, a gente sabe disso também.

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