Carta aberta às mães

Ela é mulher demais pra mim. Faz coisas que jamais imaginei que poderiam ser feitas. É guerreira, persistente, não deixa baixo quando precisa defender a sua honra ou a de suas crias. Ela é mais do que gente, pode-se colocá-la em um patamar acima do nosso. Poucas pessoas têm o privilégio de ser ela, e quando finalmente se tornam, dão duro para aprender o que uma outra lhe ensinou. Ela vive cansada, mas ainda tem tempo pra deixar ajeitado o que precisa levar no dia seguinte. Ela se preocupa, pergunta se realmente está tudo bem. Desconfiada como sempre, fica de olho até quando ninguém diz nada. Se descobre o que sua intuição dizia, chega pra quem seja e diz “tá tudo bem”.

Ela tá sempre correndo, vai de lá pra cá só pra tentar resolver uma coisinha. Se alguém pede para ela dar um tempo e descansar, ela diz que não dá, que precisa colocar tudo em dia. Ela acorda, levanta, toma café e vai trabalhar. Passa o dia fazendo o que gosta – e, quando não gosta, continua assim porque não tem outra saída. Na realidade, saída sempre tem, é o que ela sempre diz. Mas se for pra trocar o certo pelo duvidoso, ela já rebate. Prefere deixar tudo do jeito que está pra não causar problemas pra ninguém. Ela não tem que cuidar só dela, ela também cuida do marido, dos pais, dos filhos. Ela é o ponto central de tudo. De todos também. Ninguém seria nada sem ela e o mundo se torna bem melhor com ela.

Ela é várias em uma e ninguém consegue entender como consegue ser assim. Se se propõe a cozinhar, cozinha a melhor refeição que está ao seu alcance. Ela só fica feliz quando os outros também estão, por isso não mede esforços para colocar um sorriso no rosto de alguém. Ela tira forças de onde não tem e isso só acontece porque amanhã ela precisa acordar de novo e lutar mais uma batalha, matar mais alguns leões. Ela com certeza é o mundo de alguém e vários alguéns com certeza são o mundo dela. Em alguns dias, ela precisa de apoio. Ninguém é de ferro, então dependendo de como esteja, pede um carinho, uma xícara de café – e ninguém é louco de recusar isso logo a ela.

Ela às vezes é solteira, casada, filha, viúva, emprestada. Ela às vezes é pai, melhor amiga, quebra-galho, faz-tudo. Ela cozinha, lava, passa, limpa a casa. Ela ainda acha tempo pra ver as novelas dela – e ai de quem interromper esse momento. Ela faz tanto às vezes com nada e ainda agradece por tudo o que já foi conquistado. Tem homem que às vezes é ela também, faz todas as coisas citadas até aqui e isso não tira dele o fato de ainda ser homem. Tem gente que não entende que ela é a base para a vida e que, sem ela, muito provavelmente não haveria mais ninguém nesse planeta.

Ela pode se chamar Maria, Joana, Fátima ou Pedro, tanto faz. Não importa muito o nome, mas sim o sentimento e a posição. E dentre todas as posições, a que ela possui é, de longe, a mais importante – e talvez difícil – de todas: a de ser mãe.

“Houve um tempo quando eu não sabia quem eu era ou quem eu queria ser, mas eu sempre soube, desde um longo tempo, que eu queria ser mãe.”
Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s