A gente não gosta de mais nada

É sério, a gente não sabe mais do que gosta. Num dia, algo nos chama a atenção. No outro, já mudou. Não conseguimos mais ter foco no que consideramos como importante ou bom para o que a gente faz ou é. A gente simplesmente descarta tudo e começa de novo. O que há de errado com as pessoas? Quando nos tornamos assim? Não era pra vida ser algo interessante? Não era pra ela despertar na gente, sei lá, vontade de lutar e querer sempre mais – e não menos? A gente tá acabando com a nossa própria luta, a gente não quer mais saber de nada, só de se acomodar e ficar assim porque assim tá bom.

As coisas nunca mais superaram as nossas expectativas, porque a gente deixou de criá-las. Chegamos num ponto em que fazemos tudo por mera obrigação, pra ganhar o salário lá no final do mês. A gente tá sendo capaz de aguentar os trancos pelo simples fato de que um dia vai melhorar, que foi uma vez só, que vai passar. Segredo: não passa. Essa angústia que eu e você sentimos nunca vai passar. Porque é assim, a gente aprendeu a desgostar das coisas, não fazemos mais o que nos agrada, deixamos de lado tudo o que nos dá prazer para dar prazer aos outros. Até quando? Até quando teremos que ser sujeitos a aguentar pedras sendo jogadas pra cima da gente só porque somos “menores” e “menos qualificados”? Até quando pensar tornou-se um crime? Crime é impedir a livre expressão, crime é ficar parado no mesmo lugar enquanto tem alguém apontando o dedo na tua cara mandando você ficar.

Ficar pra que? Pra quem? Por quê? Ficar estático, vendo o mundo girar, as coisas acontecerem e tudo o mais, só faz com que aquela sensação estranha aumente cada vez mais. A gente já não gosta de mais nada, mas imagina que complicado ter que saber disso e ainda aguentar quem não tem nada a ver com a sua vida te dizendo isso também dia após dia? É preciso entender que ninguém é obrigado a nada, nunca. Mas é preciso entender também que a partir do momento que a gente se obriga a alguma coisa, nossa essência é perdida. A gente é a nossa própria essência, a gente faz ela ser o que realmente é. A gente precisa voltar a lutar pelos nossos interesses, não dá mais para continuar do jeito que está.

Dizem que a vida é muito curta, que pra deixar de viver neste plano é questão de azar – ou sorte, vai depender da pessoa. A gente se acomodou tanto nessa de não gostar de mais nada que até sumir do planeta é uma saída boa pro caos que se encontra tanto fora quanto dentro da gente. A gente não pode mais permanecer assim. E digo isso pra mim, pra você, pra quem quiser me ouvir. Ou se fazer ouvir. A gente não tem mais voz perante uma sociedade extremamente rígida. Nada mais faz sentido pra gente, quando, na verdade, tudo que fazemos deveria ter, no mínimo, um sentido. Não há razão para deixar de fazer o que se gosta. Não há motivo bom o suficiente que faça com que a gente encare os objetivos dos outros como mais importantes que os nossos. A gente não sabe mais quais são os nossos objetivos. A gente precisa parar de dizer sim e aprender a dizer não. Só assim pra, talvez, alguma coisa de bom acontecer e tirar a gente dessa inércia que se apossou de todos e um pouco mais.

A gente não gosta de mais nada. E isso faz com que a gente não seja mais feliz com nada. Já parou para pensar que nessa de não gostar, um sorriso pode ser perdido junto com mais uma alma que custava a acreditar?

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