Ressaca na box, burpee no boteco. Cheers! Parte I: decisões

A partir de hoje começará a série em 3 capítulos no Regra denominada “Ressaca na box, burpee no boteco. Cheers!”  Essa série contará o difícil caminho de um cidadão em equilibrar o álcool, a alimentação e as atividades físicas em sua vida. Sirvam-se, ou melhor preparem-se!

O telefone toca. É a outra. A outra face das vontades. Mesmo vestido para ir à academia, aquele convite sedutor pra tomar uma cerveja gelada cutuca, provoca. O tênis de treino, por um passe de mágica, já está desamarrado e o horário de ir para este encontro não programado foi decidido. A diabinha loira, com aquele colarinho, venceu novamente o “anjinho fitness” que fazia polichinelos no outro ombro.

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Havia tempos em que era uma decisão praticamente unânime. Se realmente fosse uma convenção diabólico-divina de “diabinhas” e “anjinhos”, minha alma já estava vendida, e por um preço baratinho. A cerveja sempre vencia a academia, e nem precisava de melhor de três. Ser ou não ser? Casar ou comprar uma bicicleta? O questionamento de correr ou beber não chegava perto dessas perguntas clássicas. A pergunta mais viável neste momento era Happy hour ou Happy day? Heineken ou Bud? Batata ou polenta frita?

Se fosse em pensamento, já havia disputado até o Iron Man. Lá na cachola, o desejo de ser um atleta é muito maior do que de ser um cara que deseja beber até morrer. Não que eu fosse um bebedor incontrolável, nunca passei sequer perto dessa condição, mas me refiro às decisões. Faltava a atitude. O “anjinho” encostava o peito no chão para fazer uma flexão, mas não levantava mais.

Até que, em um belo dia, a “diabinha” deixou a conta de suas muitas estripulias. Minhas bermudas recém-compradas entraram no armário de um tamanho e saíram de lá menores, em questão de dois meses. Como diria MC Kevinho: “essa novinha é terrorista, olha o que ela fez no baile funk com as amigas”. No meu caso, a novinha terrorista era a cerveja. As amigas, os petiscos.

fritas

Definitivamente, fui à academia, dei um “gelo” nessa diabinha safada. Perdi uns quilinhos, era elogiado, mas vivia pensando nela, na cervejinha, que vinha companhada das más companhias: o amendoim japonês, o aipim frito com bacon. Ai meu coração, frito, na mesa do bar, com limão. Era o tão desejado dia do “lixo”. O problema não estava resolvido. A outra não saia da minha cabeça. Era como se fosse uma traição na lua de mel, que também me lembra daquele doce gostoso de mesmo nome. Pensamento obeso.

Mas muitos tratam a “outra” como oficial. Nem sempre a cerveja é vilã da história. No Egito Antigo, por exemplo, já foi utilizada até para tratamento de doenças. Hoje, também é paixão, é ganha-pão.

Para o sommelier de cervejas e dono de bar Guilherme Aleixo, a relação que leva com a cerveja é muito além de um passatempo. É caso sério, di tipo “bebeu e levou para casa”. Em virtude dessa nova paixão, que se tornou trabalho, Guilherme prioriza o que conquistou com a cerveja. A prioridade é seu bar e seu néctar dos Deuses, deixando o treino como segundo plano. Precisou abandonar a academia. Guilherme diz que a escolha foi algo natural, foi do tipo “rolou”, pintou a química. “Como eu já estava apaixonado pelo universo das cervejas, não foi muito difícil decidir que, se eu pudesse, optaria por viver de cerveja, fosse produzindo ou vendendo (melhor se forem os dois)”. Hoje, segue a filosofia do “beba menos, mas beba melhor”. Não é qualquer vagabunda que entra no seu bar. Nesse caso, a relação já atingiu um estágio ideal de maturação.

Mas essa não era a relação que eu queria e nenhuma história bonitinha do Gugu ou do Mussum me faria mudar de opinião.

Pensava na bebida só como a “outra”, tipo o “proibido é mais gostoso”. Na minha visão (e no meu paladar) o universo das cervejas era praticamente um “inferninho”, nada pueril. Eu não queria apresentar ela para a família, como fez Guilherme. A consequência disso é que não havia equilíbrio. O desinteresse pela academia era contagiante ao mesmo tempo em que minha cabeça não estava preparada psicologicamente para esquecer alguns “pecados” do passado. Não há como seguir uma relação séria sem tirar a outra da cabeça. A academia não me estimulava mais.

Não há como persistir em uma relação tão superficial desse jeito. Em outrora, gostava da natação, porém ela tirava muita grana do meu bolso e não devolvia minhas bermudas. Já as corridas me faziam bem, mas ainda faltava um tempero a mais.

 

continua…

 

 

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