Ressaca na box, burpee no boteco. Cheers! Parte final: 99% anjo e 1% vagabundo.

Para quem ainda não leu os dois primeiros textos da série, pode clicar aqui 1ª parte e aqui 2ª parte.

 

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O crossfit continuava a disputar espaço no meu coração e no meu abdômen com a cerveja. Reeducar-se na alimentação era foda demais pra bancar o bom moço na box. Quanto mais você deseja levar a sério o esporte, mais eventos regados à cerveja e acompanhamentos aparecem. Eu era uma presa fácil.

No crossfit comecei a perceber a diferença de performance quando ingeria álcool. Se você praticamente “morre” fazendo um exercício, alcoolizado você “morre” e vai para o inferno fritar seus músculos. Essa diferença pode ser exemplificada.

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Coach no crossfit há dois anos e meio, Cristiane Hanke desistiu de beber nos fins de semana, pois sua performance na semana posterior era totalmente influenciada pelo consumo de álcool. Após parar de beber, afirma que sentiu “diferença além de física – esteticamente, propriamente dito – também uma otimização em performance de treinamento em qualidade de vida”.

Imagine então quem bebia cerveja e comia maus carboidratos na semana toda? Era difícil evoluir e reduzir peso, no meu caso. Não basta mudar o corpo sem mudar a mente. O “anjinho” e a “diabinha” não iriam fazer um brinde, nem fazer burpees sincronizados, mas quem sabe cada um poderia ter o seu espaço, não é mesmo?

Agora que comecei a dar ouvidos para o “anjinho” (pelo menos um dos ouvidos), mudar a mente começou a se tornar possível. Os resultados estavam aparecendo. As medidas, o percentual de gordura e o peso reduzindo. As bermudas estavam servindo novamente. Aliás, agora com cinto. Os movimentos que pareciam impossíveis de fazer estão sendo executados, e mesmo os que não estão, parecem me desafiar para que eu tente até conseguir. As desculpas terminaram. Isso é crossfit. Eita “Anjinho” RX (RX é quando o exercício é feito sem adaptação, conforme prescrito originalmente)! Diferente de mim, ainda. O sujeitinho foi tão efetivo que não tive a mínima vergonha de entrar em um programa para obesos no local em que trabalho. Aproveitei a falta de interesse das pessoas que não querem mudar a mente e consegui uma vaga, mesmo não estando tão acima do peso. Tudo isso, mesmo com alguns deslizes, é uma evolução e tanta para mudar hábitos.

Aquela saudade da loirinha não batia, porque nos víamos às vezes, sem exageros. Isso vai ao encontro do que a crossfiter e nutricionista Thalita Pigato diz a seguir: “se você vê o crossfit como um hobbie, como um lazer, fica mais fácil conciliar a cerveja com o esporte. No entanto, evite ‘beber até morrer’, pois isso fará mal ao seu organismo. Beba em comemorações ou festas, mas sempre pensando em beber moderadamente, sem exageros”. Para os profissionais e para quem deseja a famosa barriguinha de “tanquinho”, ela recomenda que pare com a ingestão de álcool. Depende do objetivo de cada um a cada momento.

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Neste momento, meu objetivo é o equilíbrio. Fazer por merecer a cerveja no fim de semana, conforme pratico o crossfit. É não sentir saudade de tomar uma, por não ter que se privar disso, mas selecionar o “quando tomar”. É não sentir saudade do crossfit por estar praticando quase todo dia. Dar o melhor sempre, foco e realidade para evoluir. Equilíbrio é respeitar o treino e o descanso. É ter a consciência de que o 99% anjo e 1% vagabundo é algo totalmente aceitável nessa relação. Se fosse 99% vagabundo seria um “problemão”.

Lembre-se que o centro de gravidade de cada um é diferente. Onde uma pessoa se equilibra não necessariamente outra irá se equilibrar e vice-versa. Pode se alcançar um equilíbrio só com o exercício ou só com a cerveja, como relatado, no caso da Cristiane e do Guilherme, ou até em nenhum dos dois casos. O que é bom ou ruim? “Anjinho” ou “diabinha”? A resposta poderá até ser as duas coisas. Uma maçã, por exemplo, pode representar um fruto proibido, uma fruta saudável ou o símbolo do conhecimento; um exercício lesivo e saudável; uma cerveja lesiva ou saudável. Como quase dizia um tigre por aí, “desperte o equilíbrio que há em você”.

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