A gente não está na mesma sintonia

Ontem você me ligou. Disse que estava com saudade, que queria me ver. Meu coração acelerou, acredito que por sentir saudade também. Mas não passou disso. A gente desligou, eu fui dormir e você não veio me ver. Tá tudo bem, eu insisto em dizer para mim mesma. As coisas são assim mesmo, quando um não quer dois não brigam. Será mesmo? Será que não vale a pena comprar essa briga? Não digo briga de porradaria, mas aquelas discussões saudáveis, que terminam com alguma conclusão plausível. Sabe? Ok, pelo visto não, porque se soubesse não diria coisas que fazem com que eu permaneça acreditando que isso que temos (nós temos?) um dia vai dar em algo.

Hoje eu te liguei – e na hora que eu ia te dizer algo, minha boca me trapaceou. Nada saiu, nem mesmo aquelas palavras que fiquei ensaiando durante o meu banho de trinta minutos. Você atendeu e eu gaguejei. Falhei diante de tudo o que havia prometido para mim, que ia fazer com que alguma atitude fosse tomada. Não foi. Perguntei como você estava, você disse tudo bem. Desliguei. Chorei. Lágrimas torrenciais eu chorei ao perceber que aquilo não ia sair do lugar que estacionou. Não tem porquê sair, pois permanecer estagnado, parado no tempo, é o mais sensato a se fazer. Pra você. Pra mim. Pra nós (nós?).

Amanhã o meu telefone não vai tocar. Não vai porque você não vai me ligar pra dizer que está com saudade ou que vem me visitar. Não vai porque eu não quero mais que ele toque. Não vai porque o aparelho não está na sintonia que deveria estar. Acredito que nunca esteve. Acredito também que enquanto a frequência tentava se ajustar, eu não estava presente para você e você muito menos para mim. As coisas não aconteceram de maneira linear porque nós estávamos em linhas tortas, opostas. Estávamos mortos um para o outro antes mesmo de vivermos algo juntos. Nós nunca estivemos juntos (estivemos?).

Algum dia o seu telefone irá tocar. Só não sei quando – e nem se será eu do outro lado da linha. A verdade é que a gente não está na mesma sintonia porque não fizemos o mínimo que deveria ser feito. A gente não está na mesma sintonia porque essa nunca foi a nossa intenção. A gente continuou do mesmo jeito desde o início porque pra estar em sintonia é preciso prestar atenção no outro.

E a gente nunca prestou.
Em todos os sentidos.

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