Retrospectiva

Esse ano não foi fácil. Foi daquele jeito lá – como é que os jovens dizem? Tiro atrás de tiro? Pois então, foi. O ano nem acabou ainda, mas já o considero como pilar máximo que sustenta o que chamo de vida. Nada veio ao chão, muito menos eu. É claro que houve um deslizamento ali, outro acolá, mas desmoronamento? Nenhum.

A vida é isso aí mesmo. Um tal de tropeça, cai, levanta. Tropeça, cai, levanta. tropeçacailevanta ad infinitum. Mês atrás de mês, deixando tudo o que aconteceu nele e apenas nele. Coisas pequenas para preocupações demasiadas grandes nunca foram proporcionais entre si – talvez seja até por isso que às vezes é mais cômodo tropeçar e ficar ali pelo chão mesmo. Com tanta chuva caindo ao redor, não me admiraria caso caísse também uma lágrima do anjo que insiste em tentar me levantar. Os anjos só não existem para quem não acredita em sua existência.

Pessoas se foram, outras chegaram. Tudo bem, é a lei da vida, eles disseram. No dia em que eu descobrir quem são eles, não sei do que sou capaz. Até parece que fazem de tudo para me boicotar, será que é por eles que não consigo chegar onde sempre quis? Não chego porque tropeço, caio, levanto, tropeço mais uma vez e mais uma vez permaneço ao chão. É mais fácil – e mais fresco, faz muito calor aqui na Terra. Derreto-me em forma de pó, pois com tanta secura que se instalou já não há mais água que transpire de meu corpo. Esgotaram-se pelas lágrimas, escorreram pelo meu rosto dedos corpo. Tropeçaram, caíram, mas jamais se levantaram.

Últimos meses, últimos dias – só não digo últimos anos porque não é o que realmente quero. Espero momentos melhores de dias iguais. Os dias não foram ruins, apenas cansativos. Duros. Infinitos. Dias em que tropecei, caí e levantei incessantemente. E mesmo com tudo isso, com todos os arranhões e tropeços e quedas e sorrisos e lágrimas e fracassos e vitórias e tudo mais o que se imaginar, permaneço de pé. Em frangalhos, mas de pé. Quase caindo novamente, mas de pé. Com todas as dores e pesos que o mundo insiste em jogar contra mim, mas de pé.

Essa tríade tropeçarcairlevantar foi fundamental para estar aqui. Foi com ela que pude perceber que estou viva – e isso é bom. Mesmo com tanta coisa ruim acontecendo. Sendo assim, desejo a todos um excelente ano novo com ainda mais tropeços, quedas e levantamentos.

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Publicitária, especialista em Comunicação e Cultura e graduanda em Letras, Rafaela é criadora do blog "Amanhã Tanto Faz" e escreve não só por prazer, mas por necessidade também.

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