Boa tarde, tem figurinha da Copa?

Este conto foi feito em etapas e você pode contribuir para que tenha mais!
Um mix de fatos reais e fictícios. Quem quiser, pode mandar  a continuação desta história nos comentários ou no email cr.simonetto@gmail.com!

Resiliência é : você ir a 10 bancas do Centro atrás de figurinhas. Não achar, ser zoado pelo tio da banca por ter sido o milésimo cara a perguntar. Ouvir o “está em falta em toda a região”. Só que na volta do caminho, na persistência, encontrar uma banca. Esta, rodeada de viciados em crack. Meu preconceito interno já pensou ser uma “boca”, que lá não teria {figurinhas} .

Entrar lá, ser atendido por uma senhorinha simpática:
-tem figurinha da copa?
-quantos pacotinhos (de figurinha) você precisa?
O meu “eu” interno me deu um tapa na cara.
Sei que lá vende figurinhas. Outras coisas? Não sei. Saí de lá “faceiro” – com as figurinhas é claro. Eu não desisto.

Intrigado, voltei no dia seguinte. Desviei de alguns zumbis, embalados por uma silenciosa dança do crack e aterrissei na banca. Eis que lá estava a simpática senhora perguntando se eu procurava por mais figurinhas.
– Veio buscar mais pacotinhos… da copa?
Agora ela abrira um sorriso ainda maior e ergueu uma cesta, lotada com os meus tesouros. Era um estoque dos bons.

– Uau! Deveria ter trazido uma mala.
Ela soltou uma risada de gelar a alma.
– Seja sempre bem-vindo aqui moço. Clientes especiais merecem o melhor.
Saí de lá com uma sensação que era de euforia – e carregando mais do que no dia anterior – com um arrepio na nuca ao lembrar daquela risada saindo dela.

Há um outro lugar em que os donos da mercadoria se encontram. É na Praça da Ucrânia, no Bigorrilho em Curitiba. Lá, os papéis são passados de mão à mão. Você não precisa nem dizer o que quer. Os olhos das pessoas já denunciam o que elas querem.

Porém, há um problema. Lá, há pessoas que fazem ‘ponto’ para vender. Vi que os produtos da melhor qualidade são mais caros, chamados de ‘cromados’. Todos lá estão atrás dos ‘cromados’ . Seria uma nova droga sintética? Não sei, mas o preço era alto. Era quase uma rave da Ucrânia. A nota triste de registro foi que havia crianças menores de idade no local sedentas pela iguaria.

Um cinegrafista amador captou imagem dos tipos de venda que ocorrem lá em plena luz do dia:

copa1

-Moço, você tem da ‘brilhante’?

Um menino de sei lá, uns 9 anos, veio perguntar. E pra piorar a situação. O pai, conivente com a situação, estava lá e viu de longe. Dependendo da qualidade do produto também há nomes diferentes: ‘escudo’ , ‘legends’ ou até ‘Neymar’.

O meu estoque acabou. Preciso negociar mais um dos bons para levar lá. Quando você percebe, já está envolvido e é tarde demais para voltar.

 

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Curitibano, bancário, formado em Comunicação Institucional e estudante de Jornalismo. Trata o futebol como um fenômeno social e não somente uma bola e muito dinheiro rolando. Curte crônicas, valoriza a criatividade. Apreciador de música e baixista.

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