Por favor, não mate meu São João

 São João Batista de Boa Viagem tinha só vinte e quatro anos de idade quando recebeu das mãos de finado Frei Manoel da Costa o Candeeiro do Santo Fogo Encantado. Lhe disse Frei Manoel que os milagre do candeeiro levariam alegria pro povo do sertão e essa seria a missão de São João. Onde chegasse deveria acender uma fogueira com o fogo do candeeiro e fariam festa. Ainda lhe alertou que João tomasse muito cuidado, pois uma vez que se apagasse o candeeiro o santo fogo deixaria de existir e as pessoas se esqueceriam de seus milagres.

 Quando São João começou sua peregrinação pelo sertão, seu primo Adelino recém havia regressado da capital. Adelino Teixeira de Queiroz, que havia ido pra cidade estudar Direito na universidade, voltou para o Sertão ainda com pouca leitura, confirmando a conversa que andava na boca do povo de que fugira pra outros cantos por ter matado o caçula de coronel Oliveira que trapaceara num jogo de cartas. Sua sorte a doença que levou Coronel.

 Adelino, temido cabra macho desde menino nunca aceitou injustiça. Quando mais moço foi furado de espingarda porque roubava o pomar da fazenda Pedreirinha pra alimentar os trabalhador fugido do distrito da Penha. Insatisfeito, voltou e cortou a orelha de dois capataze dizendo ter roubado a peixeira do cão numa encruzilhada.

 Ninguém nunca soube exatamente o que Adelino fez no tempo que ficou na cidade, mas o apelido que ganhara por aqueles lados ficou conhecido até no sul. Como estava sempre dizendo sobre a vida no sertão pra toda qualidade de viajante, Adelino Teixeira era chamado de Adelino Sertanejo ou apenas Sertanejo para os menos chegado.

 São João que vivia da venda de balaio nas feira de domingo, agora ajeitado com a baiana Maria Rita com quem teve uma filha, tinha como compadre seu primo Adelino Sertanejo, que era muito devoto de Frei Manoel.

 Os milagre que o candeeiro realizava fizeram com que São João se tornasse muito conhecido e como Frei havia dito, onde chegava São João, tinha festa com fogueira.

 

 

 Nos tempos que Adelino se juntou com São João em suas viagem conheceu muita gente. Ajudou os pobre e jantou com os rico. Mas se injuriou com as injustiça dos patrão e os trabalhador. O homi que desde moço roubava pomar, passou a tomar as posse de fazendeiro, acreditando que faria justiça.

 Não demorou muito até que outras pessoas se juntassem ao bando de Adelino Sertanejo. O apoio popular que Sertanejo recebia fez com que ganhasse a proteção de seis coronel e um par de político interesseiro.

 São João, que seguiu seu rumo sem Adelino, não aceitava mais a ajuda de seu primo, temendo que isso fosse lhe trazer má fama. Se aconselhava com Frei Manoel, que lhe dizia que dessa forma Sertanejo acabaria morrendo.

 Certa vez Barão de Rio Negro, a fim de evitar que suas terra fossem tomada pelo bando de Sertanejo, armou uma emboscada pra mói de cinquenta homem. Sabendo disso, pra salvar seu compadre, São João não encontrou outra solução senão revelar ao Coronel Ernestino os plano do bando de Adelino. Porém, Sertanejo, que tinha a proteção do coronel, acusou São João de tê-lo traído pela delação. O problema é que no sertão cabra macho não tem parelha com traidor e os compadre se desentenderam pelas desavença.

 

 

 Obcecado com a suposta traição de seu primo, Sertanejo passa a acreditar que se tivesse o candeeiro faria muito mais pelo povo que São João. E o sujeito que antes dizia a todos sobre a vida sertaneja, agora só fala de traição.

 Numa noite muito escura, enquanto São João dormia, Adelino entrou em seus aposentos pra roubar o candeeiro. Porém, assustado com os latido dos cachorro, São João acordou. E no alvoroço que se fez, o candeeiro acabou se quebrando no chão. O azeite se derramou, e o santo fogo se apagou. Por isso São João não fez mais milagre e não teve mais fogueira.

 

 Desvairado, São João conta todo o ocorrido a Frei Manoel que entende ter cometido Sertanejo um pecado severo o qual a excomungação seria a pena.

 Adelino Sertanejo, que era muito devoto de Frei Manoel, enfurecido, foi ao encontro de seu primo para matá-lo, acreditando ter sido ele o culpado de sua excomungação. E foi numa noite de festa que o Sertanejo matou São João.

 Hoje algumas pessoas se lembram de São João, mas de seus milagres todos se esqueceram. De sertanejo todo mundo ainda gosta.

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