Você tem medo de que?

Faz tempo que não abro essa porta que está diante de mim. Faz tanto tempo que nem sei mais como as coisas estão organizadas, se alguém já mexeu ou se continua a mesma coisa. Será que alguém leu os inúmeros rascunhos que deixei jogados sobre a escrivaninha? Será que tudo aquilo continua sendo para mim as melhores palavras que uma pessoa poderia colocar num papel? Provavelmente não, eu nunca fui tão boa assim. E, justamente por não ser tão boa assim, acabei deixando de lado muito do que acreditava. Na verdade, fui deixando para trás aquele computador sobre a mesma escrivaninha e as músicas que me inspiravam por puro medo. Sim, o medo que jurei não ter. Pois bem, olha ele aqui. Olá.

O que deixei de escrever durante todo esse tempo transformei em curiosidades – e, enquanto andava de lá para cá, sem rumo, me perguntei se esse medo que me incomodava era o mesmo das pessoas que cruzam o meu caminho todos os dias. Não, não é possível que sejam os mesmos. Veja bem, nem todos querem viver de escrita. Aliás, quem é que quer viver de palavras vazias num momento tão caótico quanto esse? Meu medo mandou dizer que eu que não sou.

As esquinas dessa cidade podem dizer muita coisa, coisas que talvez as pessoas nunca cheguem a pensar – sim, aquelas mesmas pessoas que já passaram muitas vezes pelo mesmo lugar que eu já passei, talvez com aqueles medos parecidos que os meus. Quantos tipos de medo podem existir rondando por aí? Medos tangíveis? Intangíveis? Desconhecidos? Compatíveis e compartilháveis? São tantos que já nem sei – e, para tentar dar um jeito nessa dúvida disfarçada de curiosidade, recorri à ajuda de certa tecnologia, o Instagram.

Ah, o Instagram… Perfeita rede social para os que têm medo de encarar a vida do jeitinho como ela é. Para estar ali, é preciso fingir – está tudo bem, vai passar, eu sou lindo. É, nem sempre é assim. Mas em algo a plataforma das fotos-e-vidas-perfeitas me ajudou: a entender os medos que são cultivados por aí. E, vou te dizer, são tão assombrosos (ou até mais) quanto os meus. Tem gente com medo de esquecer, de ser esquecido, de perder quem ama, de não crescer e de se frustrar. Tem gente, também, com medo do escuro e do silêncio, dois dos momentos em que os pensamentos mais intensos fazem uma visita. Pior, tem gente com medo da vida – afinal, nunca sabemos o que nos aguarda no amanhã, certo?

Mas, assim, mesmo diante de tantos medos, o que mais me assustou são as pessoas com medo de coisas que são fáceis de serem eliminadas, como aranhas e mariposas. Só que, parei pra pensar nisso e concluí que quem sou eu para julgá-las? Eu tive medo de não ser respondida naquele disfarce perfeito de a-curiosidade-virou-uma-pergunta. E lagartixas. Lagartixas me apavoram – assim como o silêncio no escuro que gera solidão.

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