Bolsonaro chama deputado que já confessou ter recebido caixa 2 para o governo

Logo na primeira semana após a eleição Bolsonaro chamou para o governo um deputado que confessou ter usado caixa dois, Onyx Lorenzoni (DEM-RS) já foi anunciado como provável ministro da Casa Civil. Em maio de 2017 Onyx confessou, após virem à tona as delações do Grupo JBS, que recebeu R$ 100 mil para ajudar nos gastos de campanha de 2014. Ele não declarou o valor na prestação de contas, o que configura crime de caixa dois. O próprio Onyx gravou um vídeo falando sobre o caso:

O novo presidente do Brasil se elegeu bradando aos quatro ventos que não é corrupto e que seu governo não apoia a corrupção. Com um discurso parecido com o de Collor, que se autodenominava o Caçador de Marajás, Bolsonaro garantiu para a população brasileira que era o maior anticorrupto, a melhor alternativa para se combater os bandidos que se transvestem de políticos. Pelo menos 57.797,847 pessoas compraram esse discurso e o elegeram no último dia 28.
De lá pra cá o governo tem se reunido com políticos e religiosos para montar as bases do governo que assim como relatei no editorial parabenizando o candidato pela eleição, tem a obrigação de ser muito superior no quesito moral do que todos os presidentes que já passaram por lá desde a redemocratização. Bolsonaro elevou o tom do discurso moral nessa eleição, e agora tem que ser elevada também a cobrança e fiscalização em cima dele.
Muitos dos seus [cegos] apoiadores argumentam nas redes sociais que as cobranças em cima do governo Bolsonaro que ainda nem começou, estão elevadas demais, e que isso só acontece porque a mídia seria contrária a esse governo. Em primeiro lugar essa afirmação não para em pé com um simples relembrar dos anos petistas, quando a mídia minou, com toda razão, os líderes do partido. Qualquer tropeço do Lula, Dilma e/ou dos seus ministros eram expostos na grande mídia e repercutiam até mesmo fora do Brasil.
Após o impeachment de Dilma Rousseff a “vítima” da vez foi o atual presidente da república Michel Temer, e muitas das cobranças em cima dele vieram exatamente por chamar pessoas ligadas a esquemas de corrupção para compor o governo. Muitos dos que são hoje bolsonaristas encamparam essa fiscalização e fizeram questão de subir a #euvoteinoaécio, para continuar jogando a culpa dos deslizes do governo Temer no PT. Hashtag essa que assim que surgiram os escândalos contra Aécio Neves saíram de moda. A mídia fiscaliza e cobra Bolsonaro, afinal esse é o papel da mídia, ser fiscal e mostrar aquilo que os políticos não querem que seja exposto.
Em segundo lugar essa afirmação de que “as cobranças estão elevadas demais” também não se sustenta, primeiro pela questão afirmada acima, depois porque foi o próprio presidente eleito que elevou o tom da moralidade, ao bradar aos quatro ventos tantas e tantas vezes que ele era a única solução para acabar com a corrupção.
Por tanto, se Bolsonaro se elegeu prometendo ser o salvador da pátria, que o seja. Qualquer coisa que aponte para um caminho oposto desse será cobrado por toda a mídia, e se seus eleitores tiverem o mínimo de bom senso e coerência, serão os primeiros a cobrarem também.
Bolsonaro será em alguns dias o piloto desse avião enorme, velho e problemático chamado Brasil, precisamos dele são e acordado durante o voo. Onyx Lorenzoni não representa aquilo que Bolsonaro disse ser na campanha. Se eu compro ou ganho uma passagem de avião, espero ser levado para o destino que me foi prometido na venda. Esperamos que essa seja apenas uma turbulência e que esse avião pegue a rota prometida.

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Jornalista e apresentador de TV. Criador do Regra dos Terços.

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