Mãe de Marielle Franco une forças com mãe Binho do Quilombo

Em encontro na sede da Conaq (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas) em Brasília, a mãe da Marielle Franco, dona Marinete, esteve pela primeira vez com a mãe do Binho do Quilombo, dona Bernadete. O encontro faz parte da programação do Julho das Pretas, que é uma agenda conjunta e propositiva com organizações e movimento de mulheres negras, voltada para o fortalecimento das organizações dessas mulheres. Binho foi executado em setembro de 2017, em frente à escola da sua filha, na frente da menina. Marielle Franco foi assassinada em 2018, os principais suspeitos são milicianos. Marielle e Binho tinham ao menos duas coisas em comum: a pele negra e a luta social por um mundo mais justo e igualitário.

Logo no início do encontro a mãe de Binho afirmou que “só em dizer que eu sou quilombola, a resistência está aqui”. Diante da emoção entre lágrimas e suspiros de esperança, dona Bernadete resumiu em uma frase o que levou Binho e Marielle a serem brutalmente assassinados: “Os nossos filhos deixaram uma história, deixaram um legado e isso é que incomodou”.

Mesmo demonstrando abatimento e profunda preocupação com as ameaças constantes que Bernadete segue recebendo, ameaças essas que visam tira-la da comunidade e fazer ela parar com a militância social, a mãe de Binho mandou um recado para todas as mulheres negras e quilombolas que estavam presentes: “Se é pra lutar, vambora, se é pra guerriar, vambora”.

A mãe da Marielle relembrou da luta da filha, que desde muito antes de se candidatar já militava pelos direitos sociais dos negros, gays e favelados. “Eu não queria que Marielle se candidatasse, eu fui totalmente contra. Marielle já tinha um trabalho muito bonito que ajudava muito a comunidade… Ouvir as pessoas falando que ela defendia bandido, me dói demais”, lamentou a mãe da vereadora.

Apesar do receio de que a filha entrasse na política, a morte de Marielle foi uma surpresa até mesmo para a mãe, que nunca imaginou que a filha pudesse estar marcada para morrer apenas por lutar por um mundo melhor. “Nesse período que Marielle estava [trabalhando] com Marcelo [Freixo], eu nunca imaginava que aconteceria isso”. Marielle é um grande exemplo de luta pelas comunidades, mas também teve uma votação expressiva nos bairros de classe média do Rio. A vereadora recebeu mais de 46 mil votos em 2016 e segue viva na lembrança e luta de todos aqueles que querem um Brasil mais igualitário.

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Ontem eu tive uma dolorosa honra. Foi uma honra, pois não é sempre que você tem o privilégio de estar ao lado de guerreiras como essas. Foi dolorosa, pois ouvir os relatos delas é de rasgar o peito. Na direita está a dona Marinete, mãe da Marielle Franco. Na esquerda está dona Bernadete, mãe de Binho do Quilombo. Ambos foram cruelmente assassinados por serem negros e defenderem um mundo melhor, menos desigual, socialmente justo e igualitário. Eles morreram por combater o racismo. Assassinaram representantes do povo, mas não podem matar aquilo que eles representam. A luta por um mundo melhor continua! Marinete e Bernadete, obrigado por compartilhar um pouquinho da história de vocês e dos seus filhos. As palavras de vocês, inspiram demais. Binho e Marielle vivem! #MariellePresente #BinhoPresente #VidasNegrasImportam

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Julho é o mês da Mulher Negra, em homenagem a Tereza de Benguela, liderança quilombola da região do Mato Grosso, que como muitas outras mulheres negras, rurais defendem seus territórios nos dias de hoje.

Também na semana passada foi lançada a Frente Parlamentar Mista em Defesa das Comunidades Quilombolas. Estive por lá fazendo matéria para o ISA, confira como foi clicando aqui.

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